terça-feira, 31 de março de 2009

O Homem Que Proibiu o Cigarro

Face à crítica anônima dedicada ao meu passado, devo fingir constrangimento e tentar convencer o falso moralista que, no fundo, temos todos nosso lado maniqueísta. E por conta da evolução natural da espécie, creio eu, damo-nos por evoluir - e o que passou em nossa vida pode vir a ser narrado de tantas infinitas maneiras, boas ou ruins, que só depende de nosso senso de humor ou de sua autopiedade para definir o ponto de vista sobre ti mesmo. Eu, para tua íntima incomodação, optei sempre pelo "copo meio cheio". Sendo assim, ninguém é convidado aqui a ler o que lhe incomoda, mas será sempre um prazer recebê-los à minha exposição ideológica um tanto menos polêmica do que a economia e a política do Estado que te cerca, sobre o que tu sequer tens uma mínima opinião, quanto menos coragem para criticar.

PS: o texto a seguir contém doses de política, de economia e de pensamentos sociais. Por favor, se estiver procurando diversão, não leia.

E já que toquei no assunto social, hoje assisti a uma paletra sobre Economia True com um velhinho que deve economizar até rolo de papel higiênico. Parei de prestar atenção no meio, quando comecei a imaginar a Terra dos meus sonhos. Eu gostaria, como todo ser humano que se preze, de adquirir o máximo possível de poder. Algo como Luís XIV, eu queria SER o Estado, queria poder decidir tudo sobre tudo por um dia apenas. Algumas coisas mudariam, ah se mudariam. Em primeiro lugar, modelaria uma nova pirâmide social, na base da qual ficassem os manos "yo", as "piri", os seguranças de banco, todos os funcionários de colégios interioranos que não adotam o uso de livros didáticos, falsos moralistas, praticantes do Funk Melódico, maloqueiros em geral e a banda Calypso. No meio dela, encontrar-se-iam as pessoas de baixa renda, os índios integrados, estrangeiros ilegais, as dançarinas do tchan (e o cumpadre Washington), os apóstolos do Inri Cristo, Didi Mocó, todos os garis e membros do Lions Club (antes que eu seja perseguido). No topo, estariam eu, minha família, minha namorada, meus amigos (a nobreza deve ser sociável), os fãs de Mamonas Assassinas, os fãs de Sub Zero, Toni da Gatorra, todos os mendigos e qualquer um que apresentasse um bom motivo para tamanha honra.

Eu começaria dividindo a sociedade em territórios. Sim, com muros, talvez. Três partes.

Na primeira, completamente isolada do mundo, colocaria os traficantes, os viciados, os criminosos e todos os membros da parte inferior da pirâmide. Eles deveriam ser castrados, todos. Na segunda parte, separada por uma parede de vidro, ficariam os fumantes (antes que perca o cargo, pensem: poderia ser proibido). A terceira seria aberta.

Os crimes cometidos na terceira parte seriam julgados por mendigos. As punições oscilariam entre ser obrigado a viver na ala 1, com os criminosos (crimes mais graves), ou na ala 2, com os fumantes (com todo o respeito). Algum tempo depois, criar-se-ia uma quarta parte agregada à segunda, onde ficariam os fumantes que não jogassem mais toco de cigarro no chão. Após ter-se criado essa parte, o consumo de cigarro seria cortado da segunda ala. Em pouco tempo, todos aprenderiam uma lição: ou parariam de jogar tocos no chão, ou parariam de fumar. Quem parasse de fumar, ia ser bem-vindo à ala livre. Quem parasse de sujar, viveria na quarta parte até se reabilitar totalmente. Anos após, a ala 2 seria destruída, e a ala quatro seria reforçada com paredes de aço. Neste momento, o consumo de cigarro seria extinguido. Haveria uma grande crise econômica, aliada a uma grande revolta social, que, por sorte, seria facilmente controlada. Sob regime ditatorial, quem se rebelasse violentamente iria para a ala 1 (dos criminosos), que já estaria reduzida a 20% da população inicial. As revoltas internas e guerras desta parte seriam cada vez mais intensas, junto de doenças e de ócio econômico - um verdadeiro caos.

Assim que tudo se acalmasse, a ala 4 seria destruída e todos os habitantes restantes conviveriam com a ala 3. A partir daí, a população da ala 1 estaria comprometida e em pouco tempo extinta. Quando isso ocorresse, a economia daria um salto, tanto pelo fim do ócio, quanto pela diminuição considerável de miseráveis, o que certamente contribuiria para a elevação da nação a um grau superior. Os fumantes poderiam usufruir de seu vício novamente, só que através de importação. As leis seriam claras: qualquer lixo acumulado proveniente da indústria da nicotina acarretaria exílio. Em pouco tempo, o exemplo seria tal que nenhum lixo, de qualquer espécie, seria encontrado nas ruas. Com tanto esforço, os níveis de poluição seriam mínimos e a qualidade social aumentaria astronomicamente. Nesta altura, as pirâmides sociais deixariam de existir e o Social-capitalismo passaria a orientar a economia territorial. A parcela menos provida da população teria o direito à subsistência e à assistência total do Estado. A parte rica deveria obedecer às leis do cartel para que o monopólio jamais tivesse oportunidade de se estruturar. As dançarinas do tchan deveriam ser mumificadas e tidas como símbolos da cultura. Os fumantes conscientes teriam apoio do Estado na correção de seu vício, de modo que aos poucos tal produto fosse eliminado inclusive das fronteiras. A terceira parte (e única) da população sentir-se-ia muito infeliz. Após a proibição do cigarro, das drogas e a extinção dos crimes, a diversão fora muito comprometida.

Em dois anos, a camada baixa se revoltaria ao notar que os produtos gerados pela sua mão-de-obra eram de inferior qualidade. Por outro lado, a camada capitalista se revoltaria por considerar-se sem liberdade. Em pouco tempo, eu iria para a guilhotina e entraria para a história como o ditador mais burro de todos os tempos:

"O homem que proibiu... o cigarro". *Na sala de aula, caras espantadas*

6 comentários:

Jonas disse...

Fico feliz por estar na elite huashuhas
E, realmente, tocos de cigarro estão por toda parte. Ficaria feliz se tudo isso sumisse.
Abraço

Fran disse...

Heil Lucas! o/ hehuaheuah
ops...(brincadeira de mau gosto?)

Paola disse...

eu também tô na elite, uhul! adorei essa foto, daonde tu tirou? e imaginei o flávio contando essa história e os alunos do unificado fazendo a mesma cara dos indiozinhos, lembra?

Paulo Barradas disse...

Sou piri.

Anônimo disse...

Yo

thaysehoffmann disse...

"todos os funcionários de colégios interioranos que não adotam o uso de livros didáticos"
viva stella maris \o/
toni da gatorra na "elite" me rendeu MUITAS risadas, genial!