segunda-feira, 16 de março de 2009

Erro Pornô (pt. 1)

Hoje pela manhã ocorreu algo tão absurdamente absurdo, que me fez lembrar de um episódio AINDA PIOR. É, ambas foram peças que a vida pregou durante minha breve existência. E jamais se desculpou. Como o primeiro fato (que é menos extenso temporalmente falando) me tomou muitos caracteres, deixarei o segundo para um futuro post. Para os cinco leitores do meu blog, lá vai uma dica: cobrem-me, ou vou esquecer.

Sem mais demoras, tudo aconteceu quando "acordei" um pouco mais cedo do que o normal e, como de costume, fui banhar-me para acordar de fato. Ao chegar no banheiro de cima, ao lado do meu quarto, despi-me e liguei a gélida água no máximo. O tempo passava e ela não esquentava. Como todo santo mês, concluí que havia faltado gás e iniciei o contato externo com a Dona Cleci (uma incansável senhora que trabalha e acompanha minha família desde pouco antes de meu nascimento, provavelmente por alguma espécie de promessa ou carma). A Cleci me informou que muito provavelmente estaria faltando gás (...).

Vesti a peça mais íntima possível e, por me sentir íntimo o bastante, resolvi atravessar a casa somente com a própria. A ideia era descer as escadas, passar pelo escritório (uma segunda sala) de minha mãe e chegar ao quarto dela, onde havia um banheiro melhor acessorado que dependia de uma outra fonte de gás. Com uma toalha às costas e uma cueca na cintura, parti (ainda em estado de choque pós-sono) em direção à difícil jornada que havia planejado. De longe, pude perceber que havia uma moça na parte de baixo, de costas para a escada, junto de minha mãe no escritório. Tinha cabelos lisos castanhos e usava uma blusa rosada; tinha estatura pequena e aparência infantil. Minha mãe sentava à frente dela e de frente para a escada. Uma mesa de escritório separava as duas. A jovem estava de cabeça baixa, como se estivesse desenhando algo. "Há, é só a Thays"; Thays é minha irmã. Alvo totalmente ignorável.

Segui até a escada e fui descendo sem o menor pudor. Minha mãe passou-me a olhar com um sorriso quase que pálido enquanto alcançava a metade inferior da escada. Algo me passou: o que a Thays fazia ali àquela hora, se estudava de manhã? (Pausa dramática).

(Alguém ainda não entendeu o motivo de este blog se chamar Tenha Muito Cuidado?)

Não, amigos, não era a minha irmã, mas uma cliente de minha mãe prestes a assinar um contrato de construção civil almejado por meus pais durante as três últimas semanas. E eu de cueca, parado na escada com uma toalha nas costas.

Eu me pergunto o quão rápido era preciso ser para sacar uma arma durante um duelo típico daqueles filmes de bang-bang. Calculo que o tempo que eu levaria para subir aquela escada de volta antes da moça presenciar essa cena lastimável deveria ser o triplo do que levaria para desenrolar a toalha e cobrir meu corpo, e assim o fiz. O barulho que faria subir aquilo de novo iria fazer com que ela se virasse quase que instantaneamente, e então viriam a surpresa, as perguntas e os questionamentos... poderia esperar um sorriso envergonhado, ou uma cara de espanto, não é possível saber pois eu não conhecia aquela mulher. Bem, a moça ainda estava de costas, concentrada em algo, e eu, na realidade, tinha duas escolhas: voltar com estardalhaços humilhantes e ser descoberto como um fracassado, ou seguir em frente fingindo se tratar de algo completamente normal (e ser descoberto do mesmo jeito). Esse negócio de indecisão é completamente relativo; eu me considero o cara mais indeciso que já conheci (ou talvez não, não sei...) (entenderam a piadinha no parênteses ao lado?), mas ninguém que passa por uma situação desse tipo demora mais de 0,3 segundos para calcular o que é menos pior para si e para os negócios da família. Eu resolvi passar pelas duas e chegar até o quarto de minha mãe. Acho que a velocidade dos meus passos foi semelhante à do papa-léguas fugindo daquele lobo com nome de cacto alucinógeno mexicano. E eu tomei o banho mais demorado dos últimos tempos.

O fato é que, por uma determinação divina, o desfecho dessa história foi diferente daquele que ainda estou para contar. Sim, foi menos vergonhoso, foi menos assustador, me senti menos culpado! Ao perceber que o carro dela se afastava do meu terreno, saí do banho rapidamente para ver o estrago do meu segundo maior erro pornográfico, e o que ouvi foi tão saboroso quanto um torrão de açúcar equino:

- Ela não viu e fechou o contrato.

(Sorrisos extramaxilares)

Senti como se tivesse provado para mim mesmo que havia novamente desafiado os perigos do meu corpo. Mas, dessa vez, quem riu fui eu mesmo.

8 comentários:

Sergio Trentini disse...

Bem escrito. Seria coisa de filme ela te ver de cueca e dizer "não vou mais assinar o contrato! que falta de respeito esse jovem de cuecas"

Lucas Di Marco disse...

aguarde até o próximo capítulo...

Paola disse...

sim, só tu consegue essas coisas! paoeiaepoiaepoaeieaop aposto que eu sei o próximo capítulo :P

Marcos disse...

Estou no aguardo do próximo , ficou bom .

Gabriel disse...

eae, meu... primo do Rust aqui... beleza? sou viamão, tb... ^^

mas... duas perguntas: porque erro pornô?
e outra, oque te segurou tanto tempo no banho, hein, campeão? XD

abraços, cara!

Gabriel disse...

msn, por favor...

Lucas disse...

Respondendo...

Bom, basicamente erro pornô é autoexplicativo, eu estava quase pelado e isso foi um erro (claro) hehe

E o que me segurou no banho foi o fato de ela ainda estar ali. Eu não sabia se ela tinha me visto, portanto fiquei com um pouco de vergonha e resolvi aguardar até ouvir o carro dela indo embora.

Meu msn: lucasataides@hotmail.com

Abração e valeu pela leitura, cara!

Ana Maria disse...

Quanta criatividade. Adorei muito!
aguardo