domingo, 15 de março de 2009

Grande Kagada

Certo dia, um amigo meu sugeriu que eu deveria tentar ganhar a vida como escritor. Eu respondi, educadamente, que ele deveria ganhar a vida como profeta. Ele fingiu entender, mas não; e é por aqui que vou explicar. As chances de eu escrever um livro bom e sustentável são ainda menores que as de ele acertar a sorte de uma madame rica e supersticiosa. Ademais, sou tão bom nisso quanto ele em magia. Mas se ganhares na Mega-Sena, retiro o que disse. E me procura.

E porque eu não sou um escritor, mas um cara normal, cometo cagadas normais. Uma delas? Eu poderia alimentar um post por dia só com uma parte (e não me orgulho disso). Mas uma bem ilustrativa aconteceu há alguns meses, quando descia a rua Pixinguinha, onde minha glamurosa namorada mora. Pausa breve para a descrição da pixinguinha.

{Pixinguinha: típica rua viamonense de chão batido, buracos XXL, pessoas à granel e construções inacabadas, sem final visível, com inúmeros becos ao seu comprimento, uma gangue de crianças inoportunas, iluminação desfavorável, e é melhor parar por aqui antes que ela me enterre em seus confins de terra vermelha}. Mas, antes de tudo, não fica sequer um ponto atrás da minha e das demais ruas de Viamão no Concurso Miss Rua Viamonense 2009.

Bom, vinha eu descendo a Pixinguinha à noite, noite mesmo, e só enchergava a área de iluminação do poste mais perto - a vários metros de mim. Há algum tempo, a família dela havia comprado um Ford Ka preto, com toda a sua elegância e estilo (não é ironia). Conforme ia me aproximando de sua casa, ainda em uma leve descida, o Ford Ka preto aparece subindo a rua em minha direção. Certo; não é uma rua de movimento - nunca vi mais de dois carros se cruzando, a não ser em dia de festa ou enterro - e tampouco seria comum um outro Ka preto subindo a rua justo naquela parte. Eu não tive dúvidas de que eram seus pais que iam ao centro comprar algo no mercado. Plausivelmente, eram eles. Com um elevado senso de humor, qualquer brincadeira seria esperada daquele automóvel que vinha ao meu encontro; e não tardou para que ele fingisse me atropelar. Eu, querendo ser simpático, me empolguei e...

Eu me empolguei e fingi que acreditava seriamente que seria atropelado, de brincadeira, claro. Primeiro, parei de caminhar bruscamente e botei as duas mãos esticadas para frente, com cara de pavor. Não adiantando, fingi (humilhantemente) que estava fugindo, virando 180º e subindo a rua por alguns metros desesperadamente rápido. Após, achei que estava entendido que participei da brincadeira. Me orgulhei de meu senso de humor aguçado! E quando me virei de novo, o carro desviou de mim calmamente e eu pude ver os rostos de dois jovens e uma moça (a motorista) rindo exaustivamente de mim. Ok, eles deveriam ser os primos dela. "Calma, nem tudo está perdido... eles vão reconhecer teu senso de humor".

Com a maior fé do mundo, acreditei que seria alguém da família que desconheço, e fui andando em linha reta em direção à garagem dela, pensando "não esteja, não esteja, não esteja!". E lá estava o Ford Ka preto, completamente estacionado dentro das grades ameaçadoras, com uma cara de besouro muito mais acentuada, como se olhasse para mim e dissesse:

"kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk"

7 comentários:

Namorada disse...

engraçado, hein. hum.

Paola disse...

tá, de fato... é engraçado :P

Amigo disse...

o que você tem contra kas pretos?

Lucas disse...

A curiosidade ainda vai me forçar a proibir anônimos hauuae

marinhosaldanha disse...

Pelo menos o KA não foi comido por um cão faminto como o meu na tua casa... Abraços buneca

Lucas Di Marco disse...

Meus cães são completamente treinados para assassinar qualquer intruso de sexualidade duvidosa.

Sergio Trentini disse...

PARE, PARE DE ESCREVER.