segunda-feira, 23 de março de 2009

Crente Canibal VS Gigante Rosado


PONTO DE VISTA #1:

E eu fui pegar um copo de água preta mas minha visão foi completamente escurecida por uma imagem ímpar: um gigante louva-a-deus vegetava dentro do armário de copos e, não por acaso, em cima de um. Ele sequer respirou ao me notar. Sabedor do potencial sanguinário deste terrível e ameaçador monstro verde, pus-me a pensar em maneiras de detê-lo - como um típico ser humano. Ok, confesso que agora isso parece totalmente desnecessário, mas meus instintos de Homo Sapiens fizeram-me desejar sua morte mais do que respirar. No entanto, os documentários que assisti sobre o "rei dos insetos" conseguiram aumentar as batidas por minuto de meu coração desregulado. MEDO.
Eu não sou lá um sujeito covarde; mas não gosto de me meter com perigo. Ora, é totalmente incômodo assassinar um animal que poderia muito bem arrancar meu olho (e por que não?). Eu precisava utilizar o único fator que me daria alguma vantagem nesse combate fatal: a minha capacidade de pensar. Pensar! Oh, eu penso! Eu acho que penso... eu... penso? Dúvida cruel.

Ele queria brigar. Conquanto estivesse parado na mesma posição por prováveis horas, sem sequer mexer a cabeça, enquanto eu o contemplava com olhar de vampiro, ele não fugira; ele não temera! Ora, que audácia! Tenho no mínimo dez mil vezes seu volume! Era preciso fazer algo.

Como, no mesmo dia, havia sofrido um enxame de vespas assassinas passageiras e, para afugentá-las, vesti-me de "Esquimó da Antártida" (mas quando cheguei lá, elas já tinham migrado de novo), percebi que nada é por acaso. Vesti algumas partes de tal fantasia, principalmente as luvas que me evitariam ver meu sangue derramado em suas garras lentas e afiadas, seu veneno mortífero como uma naja cospideira. Ele poderia me matar, isso era fato. (Parem de duvidar disso, caramba!). Peguei uma escumadeira grande de metal e cobri-a com um pano de prato usado. Abri cautelosamente a portinha do armário dos copos e cutuquei o animal. Ele não se mexeu. Cutuquei com mais força. Ele pulou de um copo para o outro com muita calma. Era hora de agir.

Com a luva - muito cagadamente - peguei a parte de baixo da taça em que o Monstro Canibal adquiria suas forças malígnas e trouxe-a para fora do armário. Ele farejou meu medo: começou a planejar seu ataque com muita precisão e astúcia. MEDO. Ele começou a rezar. SIM, É POR ISSO QUE SE CHAMA LOUVA-A-DEUS! Ele reza, provavelmente para o seu Deus-Canibal, visando ao meu sofrimento, à minha derrota, à minha morte lenta e dolorosa, e provavelmente esperando que ele mesmo comesse minha maciça carne, até ficar tão grande quanto um ser humano e sair louva-a-deusando por aí, comendo todos com muita calma e paciência diabólica. Com suas patas unidas e seu tronco de pé, virou quase 180º para olhar-me nos olhos - o que me fez utilizar a escumadeira com a outra mão; eu o isolei dos meus olhos, para caso resolvesse voar, mas ele estava virando calmamente cada vez mais, e eu não podia mais fazer nada: certamente não chegaria até a porta para jogá-lo de volta à natureza, onde poderia MASSACRAR os seus semelhantes até que uma fêmea o devorasse a cabeça. Quando ele se virou os então 180º completos, apavorei-me de tal maneira que acabei agindo como uma bicha fresca, talvez até pior do que a do segundo post, caros colegas. Eu o acertei com um leve tapa da escumadeira, o que o fez voar até a parede mais próxima, e eu passei a me sacodir e gritar de forma aguda e feminina, sapateando tanto quanto um dançarino de tango. (no tango se sapateia?) Por fim, minha namorada riu de mim, já que acompanhava de longe minha batalha sangrenta pela vida. Ele pousou verticalmente na meia-parede que separa a cozinha da sala e lá ficou, totalmente desconfiado. Mas sua irracionalidade não o fez perceber que ali era um alvo fácil para uma bela e suculenta chinelada.

Eu respirei um pouco (bem afastado) e então resolvi terminar o que deveria ter feito com maestria de outrora. Tive uma brilhante ideia: peguei com fúria em minhas mãos a maior arma já confeccionada pelo ser humano, que desde 1962 já fez milhares e milhares de vítimas, dentre insetos, aracnídeos e até mesmo maridos indefesos: as Havaianas! Ela era preta - tão eficiente quanto um revólver nas mãos de quem sabe manuseá-la. Mas eu saberia? Bom, o medo de ele dar o bote milésimos de segundo antes de a sandália grotesca acertar-lhe as vísceras verdes e gosmentas foi decisivo para eu errar EM CHEIO a primeira tentativa. Ele notou o perigo e pulou para baixo de um banco de pernas compridas, aqueles de barzinho. MERDA, eu nunca ia pegá-lo ali. Ele finalmente aceitou a briga com tudo, estava pronto para devorar meu cérebro com a destreza de um crente canibal. Sua posição era de um ângulo de 90º com o chão - estava quase de pé; os ruídos que emitia após a chinelada mal-dada era de assustar até mesmo um leão heterossexual. Eu tinha duas opções, àquela altura da madrugada: deixá-lo ali e torcer para que não se vingasse, ou atacá-lo até a morte de um de nós dois. E optei por esta última.

Retirei com muita rapidez e cuidado o banco de cima dele e errei mais uma chinelada, mas ele pouco se mexeu. A terceira foi fatal. Ainda assim, vieram mais umas cinco, não sei se por raiva ou por pena. Eu venci.

... e olhando para seu cadáver minúsculo, totalmente esmagado no meu chão claro, percebi o quão ignorantes são os seres humanos. (Foda-se, botei vocês junto).

Apesar disso, dormi com a sensação de que, sem sombra de dúvidas, era o maior herói e guerreiro viamonense.




PONTO DE VISTA #2:

Não lembro como fui parar naquele inferno. Não havia nada verde, a não ser eu mesmo, num raio de 10 metros. Tentando refletir, mal pude perceber que ficara estático desde o nascer até o pôr-do-sol daquele dia. Durante esse tempo, vi criaturas extremamente assustadoras. Uma delas, mais precisamente longas horas após o sol ter-se ido, foi a primeira a me notar. Eu não achei que ele fosse encher meu saco, ora, afinal eu sou o Louva-a-Deus.

Mas ele resolveu dar o bote. Percebi que estava aflito com minha presença, mas o que podia eu fazer? Ele era um gigante, um gigante cor-de-rosa, e eu era apenas o rei dos insetos. Ele me esmagaria com a palma da mão antes de perceber que eu não tenho veneno. Ele pegou alguma ferramenta - típico de um ser desse tipo - e passou a encostar em mim. Ora, se eu tivesse seu tamanho... por que tanto receio? Enfim, tive de utilizar seu medo ao meu favor. Quando ele agarrou o objeto transparente em que eu repousava tão tranquilamente, percebi que ele iria tentar um daqueles truques fracassados de bichos grandes. Fiz pose de malvadão e fiquei à espera. Esperei ele agir para voar até algum lugar onde pudesse me camuflar. Mas acho que a inteligência desses animais, embora limitada, os fez retirar qualquer tom de verde de seus lares, para que eu, o Deus dos Insetos, não pudesse usar minha camuflagem perfeita.

Ele foi buscar alguma coisa, algo bem mal feito, preto e achatado. Não sabia bem o que ele iria fazer com aquilo, talvez alguma forma de ritual, mas quando mal pude perceber, aquilo voou em minha direção. Sorte que sua pontaria e precisão eram ruins. Pude me esconder embaixo de um objeto tão gigante quanto ele, e lá comecei a emitir sons que apavorariam até mesmo um morcego velho. Subi em meu próprio corpo, fiquei ereto como ele. Acho que o apavorei tanto que isso custou minha vida.

Quando a sombra do objeto em que me escondia sumira, ouvi um grande barulho e fiquei estático. É a última coisa de que me lembro antes de virar matéria orgânica reciclável.

Malditos humanos.

10 comentários:

Paulo Barradas disse...

Cara, perdi o medo dos louva-a-Deus. Esses dias encontramos um tentando se matar. Ele pinçava as antenas violentamente. Depois descobrimos que ele tinha mal de Alzheimer.

Sergio Trentini disse...

tirando mouse-optico, os mouse-optico
erros mouse-optico, de mouse-optico
portugues mouse-optico, ta mouse-optico
tudo mouse-optico, ótimo mouse-optico

Paola disse...

foi realmente um berro gay, muito gay! faltou citar os pulos gigantescos na direção inversa do bichinho... imaginei muito a visão dele com essa sgunda foto, haha! é mais ou menos a visão que tu fazia do ratata ;) ;@@

Paola disse...

tá de pijaminha na foto ;x

Lucas disse...

Que erros, Sérgio?

Anônimo disse...

"Ela era preta - tão eficiente quanto um revólver nas mãos de quem sabe manusiá-la."


manuseá-la

Fran disse...

muito bom: sacodir e gritar de forma aguda e feminina, sapateando tanto quanto um dançarino de tango.

ps.: em tango não se sapateia não, MEDO!

Jonas disse...

karalho não sabia que eras um ser pensante!!!!!!legal, me ensina?..quer ser aque nem você quando eu crescer!!!!
kara muito criativo esse blog....
muito bom...
continue...avante!!!!......

Fabio o Fonseca disse...

Deus! Eu tenho a idade das havaianas!
Desculpe a demora em ler-te, but I likei muito da tua verve. Bjus do pai daquela que ri de ti...

Anônimo disse...

será que se o louva deus fosse maior que você ,você lutaria com ele desarmado e com coragem de davi.acho que sim.