terça-feira, 25 de agosto de 2009

Não Me Levem a Mal

Diogo: eu consegui. Há quase uma semana que não tomo um copo inteiro de refri. No máximo alguns goles, enquanto não me acostumo totalmente, mas vá lá, eu era viciado, e nunca tinha passado UM DIA SEQUER sem refrigerante desde minha infância mais remota, ou seja, havia uns 15 anos. E já consegui uns 3 dias inteirinhos sem nem um gole! Fui almoçar com o Jonas na quinta passada, e a surpresa dele foi quando chegou à mesa e viu uma garrafa de água sem gás, e um prato com muitas alfaces e um talo de couve-flor.

Recentemente, tive uma grande idéia: depilar as axilas. Não sei por quê. Gosto muito de experiências extravagantes (com exceção das homossexuais), e por isso acabei cedendo à minha curiosidade, que já resultou em peito careca, depilações com cera quente, quadrado de pêlos retirados da perna, pedaço da barba feita com pinça, sobrancelha aparada, pêlos pubianos extremamente polidos e, por fim, as axilas. Sem contar o uso de bases e maquiagens, mas ah, vai que alguém acaba me interpretando mal aqui.

O fato é que, na maioria das vezes, minha namorada está por trás disso tudo. Ou pelo menos no meio, incentivando ou sendo convencida por mim. Desta vez, porém, resolvi fazer diferente: sozinho. Assim, passei uma semana dizendo para ela por telefone: "tenho uma surpresa". Ao passo que, como sempre, ela me questionou "é de comer?". "Não". E aguardou um segundo significado com conotação sexual, velho costume meu, mas não veio: realmente não envolvia a palavra comer.

O tempo passou, e ela foi desistindo aos poucos - braba - de me extrair o que era. Só disse que ela acharia engraçado, ou legal. Tinha sérias esperanças que ela gostasse, no fundo. "É mais higiênico", dizia um amigo de um amigo meu, e eu realmente tive de concordar... mas a coceira e a alergia, puxa vida, não compensa.

O dia tão esperado chegou. Peguei-a pela madrugada em sua casa, já que (olhem isso!) toquei em um aniversário de 15 anos naquele sábado até as 23h. Trouxe-a até minha residência, fomos até meu quarto e... então indaguei-a: "tá na hora. Vou te mostrar a minha surpresa". "Ai meu Deus!", disse em contra-vapor. Não pensei duas vezes: tirei a camisa e levantei meus braços. Ela procurou bem, sem entender... então eu apontei, humildemente, uma das axilas com a mão oposta.

"MEU DEUS, O QUE QUE É ISSO?????"
"O quê? Achei que tu ia gostar!"
"COISA HORRÍVEL! PARECE DE MULHER! NÃO QUERO ISSO!

Desde então, venho coçando minhas axilas, enquanto espero os micropêlos crescerem, como pentelhos, sempre desencravando-os com esmero, e admirando-os em seus tamanhos ímpares muito provavelmente pela última vez na vida.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Perdas, Perdas e... (Ganhos?)


Aprendi com minha namorada (direta ou indiretamente) e com algumas outras filosofias de vida que, por mais que se esteja mergulhado no arroio dilúvio, ao menos se está nadando. E é pensando nisso, já que cansei de abraçar o capeta, é que ando mais tolerante com a vida (ao passo que ela me tolera cada vez menos).

Adquirimos um vídeo-game divertidíssimo. Não é preciso mais, para ser bom, a habilidade em games, mas sim a própria habilidade física ou mental. É quase um ENEM do lazer. Tanto é que meu próprio pai, que bem poderia ser pai do Atari, anda nos vencendo no boliche e no golf virtuais. Em vez de apertar em botões, utiliza-se o controle como o objeto de jogo (como a bola, ou como a raquete, no tênis), e então o controle faz as vezes daquilo. É divertido demais, não fossem as dores causadas pelo exercício, e a preguiça de ter que jogar em pé.

E no primeiro dia em que o vídeo-game chegou (sábado), bastaram algumas horas para que eu, divertindo-me como num verdadeiro estádio, me empolgasse. Não me perguntes como: quebrei o lustre novo da sala. Game Over.

Cheguei a pensar que seria proibido, como nos tempos de criança, de jogar aquilo - mas talvez utilizassem uma camisa de força, devido às circunstâncias. Passei a tentar convencer minha mãe, no entanto, de que o que valeu foi a diversão que senti até aquele momento. Funcionou. (O quê? Sim! De alguma forma, funcionou!)

Acontece que depois de um mês de férias suínas, esse vídeo-game viciante veio aparecer justo no penúltimo dia! "Peraí... vamos voltar à rotina muito mais felizes do que antes." Preparava-me psicologicamente para voltar a acordar às 5:50 todos os dias.

Tudo bem; se eu tivesse acordado na hora certa. O primeiro dia de volta, e "meu despertador não despertou". O que é uma mentira terrível, já que fui eu que não despertei ao ouvi-lo. Acordei uma hora depois do que deveria, já pensando: "o dia de hoje vai dar um bom post". "Isso aí, Lucas. Sempre positivo".

Corri para lavar o rosto e tudo que deveria ser lavado (ui) e enfiei (ui) qualquer roupa (uuui) no corpo (chega). Após, fui verificar os horários do próximo ônibus no computador. Dizia ali que era 7:20. Olhei para o relógio: 7:20.

A única coisa que funciona pontualmente em Viamão é esse ônibus. Esperei vinte minutos, junto de minha cadela drogada, dentro de minha sala, tomando todinho, já quase-puto-da-cara. Faltando cinco, resolvi partir.

Lá fui eu. Havia um problema: minha irmã já tinha ido ao colégio (ainda não sabia como, já que era eu quem deveria acordá-la), e eu não sabia como fazer para fechar o portão. Então tive aquela idéia de que tanto nos orgulhamos às 7:40h da manhã. "Vou abrir todo o portão (elétrico) e, logo após, apertar o botão para fechá-lo. Enquanto ele fecha, corro até lá e ultrapasso-o antes de fechar totalmente." Ótimo plano, Lucas.

Eu só não contava com dois poréns:
1º- o conserto recente do portão, que aumentou sua velocidade consideravelmente;
2º- a minha cadela;

Enquanto corria feito um desesperado, tropeçando duas vezes nesse bicho, que acorda e dorme já disposto a brincar e pular, tive de literalmente me jogar DE LADO contra o buraco que sobrava entre o portão e o muro; se alguém estivesse à rua naquela hora, teria visto uma cena de Hollywood. Não só pelo fato de eu ter quase me suicidado acidentalmente logo após acordar, mas também porque havia uma tempestade de tornados na cidade de Viamão, e ai de quem diga que estou exagerando. Árvores sacudindo, objetos voando, tudo isso e mais ao som da sinfonia eólica, um dos meus maiores temores sonoros, depois do trovão, da explosão e, principalmente, da flatulência. Mas eu sobrevivi até a esquina, e peguei o ônibus lá. "Pelo menos não tá aquele calorão infernal de ontem!", tentei me iludir.

O valor da passagem subiu. De R$ 6,50 para R$ 6,90, agora sim me sinto despedaçado ao voltar para casa, e cada vez mais considero aquele ônibus MEU. Porque já devo ter pago todas aquelas poltronas confortáveis, e vários meses de salário daquele cômico motorista que, não sei por quê, gosta de mim. Mas nem era ele, pelo fato de o horário ter-me sacaneado. Não havia como me conformar diante desse aumento. Calei-me emburrado.

Chegando ao destino, perdi duas aulas, logo de início. "Mas nem eram lá tão importantes". No intervalo, resolvi ir ao banheiro.

* FLASH BACK: Lucas, avó e mãe indo comprar um tênis para este. Na loja, Lucas compara preços, tamanhos e belezas, adquirindo um dos que mais gostara. Até então, muito feliz estivera. *

*FLASH BACK 2: Lucas tentando insistentemente aprender o Moon Walk, desde a morte de Michael Jackson, até então sem sucesso*

O banheiro é num beco do pátio, e até hoje eu sempre reclamava disso. MAS GRAÇAS A DEUS POR TEREM ESCONDIDO, OBRIGADO ARQUITETO, OBRIGADO! Digo isso porque, ao descer as escadas molhadas em direção a ele, descobri um segredo de meu tênis novo: possui um lubrificante especial na sola. Resbalei no penúltimo degrau e caí de bunda numa poça d'água. Olhei para trás instintivamente: vinha um guri que fingiu não ver, e sequer riu. Odeio. Quero mais que ria, para quebrar o gelo; eu sei que ele vai contar para seus amigos depois, e então rirá muito, o triplo do que riria ali. Mas ele não riu. Dentro do banheiro, havia um Mano Yo, que só fez "baaah", que foi muito bem aceito por mim. Só duas pessoas contemplaram a segunda cena cinematográfica da qual fui protagonista no mesmo dia chuvoso. Os número estavam melhorando consideravelmente; se eu continuar assim, um dia terei inúmeros fãs aplaudindo minhas quedas e meus mortais antes de ser esmagado por um portão de ferro. Mas não foi isso que pensei para me conformar da minha péssima compra... "Pelo menos, Moon Walk não vai ser nenhum problema!" E quase soltei um gritinho de alegria. Velha tática de mentir para si mesmo. Sempre funciona, em qualquer idade! Afinal, agora tenho idade suficiente para distribuir a duas, ou até três crianças. Quatro ou cinco, na verdade. Ok, vinte bebês. (ou 240 recém nascidos)

7300 dias. 175.200 horas. 10.512.000 minutos. Nos segundos, a calculadora deu erro. :(

Só faltava, então, uma sacanagem para me conformar. A passagem. Peguei o ônibus de volta correto, graças ao meu receio de perdê-lo também, e encontrei o meu amigo motorista. Perguntei-o sutilmente sobre a passagem.
- Por que ela nunca desce, só sobe? - perguntei sinceramente. Ele riu. Acho que considerou uma brincadeira. - Quando que sobe de novo, agora?
- Ah, agora só ano que vem...
- E por que ela sobe tão rápido? - disse eu, querendo qualquer explicação coerente...
- Ah, tudo né... pneu, gasolina, e o nosso salário, que aumenta...
- AH! O teu salário! Então tá beleza. Valeu!

E passei a roleta.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Visita Desgostosa

O amigo de um amigo meu andava com alguns problemas em uma região muito delicada, motivo pelo qual procurara um proctologista. Peço perdão pela provável falta de riqueza nos detalhes, a qual deve ser sumariamente compreendida.


E ele, receoso, fora até o hospital para que seu problema fosse resolvido. Era a primeira vez que consultava esse médico e - se tudo desse certo - a última. Procurou adiar essa visita por quase um ano, mas as dores que sentia acabaram assumindo um papel rotineiro. E foi.




Palhaço Cu-Doce, artista-plástico e humorista.


Assim que chegara ao hospital, orientado apenas por um papel que dizia as coordenadas e pelo nome do Doutor, procurara o tal Complexo 75 com muita timidez. Entrara pela porta da frente, olhara as placas e nada dizia; pesquisara muito, mas viu-se obrigado a perguntar a alguém logo de cara - o maior receio. Havia um senhor balconista em algum lugar do primeiro andar, e fora intensamente cauteloso:
- Com licença, o senhor sabe onde fica o complexo... - tivera uma idéia boa - o complexo 74?
- 74? Olha, não sei bem... o que é que o senhor procura? - diante das circunstâncias mais temidas, fez-se então de desentendido.
- Eu procuro os complexos acima de 70, sabe me dizer onde fica?
- Ah, deve ser então no terceiro andar à direita.
- Muito obrigado! - e subira faceiro.

Subindo lá, foi até o número 75 e sentou-se, junto de um casal (levando um bebê) e duas senhoras no final da vida. Aguardou, aguardou, aguardou... até resolver que talvez não fosse ali. Saiu então para pesquisar, e para tanto, lera o nome do Doutor pela primeira vez. O que vira o assustara de tal forma, que não menos assustados ficarão: Dr. João Romão. Este era o homem que guardaria o maior segredo deste sujeito. Lera de novo, com a esperança de ser míope. João Romão ainda o olhava profundamente, quase que grifado no pequeno papel e, se houvesse uma foto, certamente teria piscado.

Não era ali: ninguém levaria um bebê ao proctologista em casal! Antes de ler a placa, fora até o corredor de novo e olhara aos dois lados, não localizando nada que o indicasse o sinistro caminho a ser seguido. Porém, havia um balcão. E nele, duas jovens secretárias, bonitas e, naquele momento, muito intimidantes - era tudo que não queria ver. "Não, definitivamente não vou perguntar pra elas", pensou, dirigindo-se ao lado oposto do corredor com apenas duas palavrinhas em mente: João Romão.

O que fazer? Passara pela frente de algumas plaquinhas, nenhuma dizendo Proctologista. A hora da consulta já ia sendo ultrapassada, e pessoas de máscara passavam insistentemente pelo corredor, algumas repetidas... era hora de agir. Procurara por outros funcionários... mas todas as secretárias eram mulheres e jovens. "Grrr que raio de hospital só contrata mulher pra atender?" e, durante o desabafo orgulhoso, vira passar uma senhora de mais idade, de uniforme, aparentemente humilde - a famosa Tia da Limpeza. Nunca ficara tão feliz em ver uma integrante desta gangue que domina todas as instituições do Brasil, e por que não do mundo, sempre com sua humildade, sua graça, sempre discretas e não menos elegantes. Supõe-se que sejam a maior fonte de informação do local onde trabalham. A partir dessa suposição, e iludido pela ideologia que acabara de criar em segundos, foi em direção à tia com muita delicadeza, quase que aos sussurros - ela entenderia e teria piedade.

- Com licença... senhora...
- Oi, meu filho - disse ela em tom baixo, para a sua sorte.
- A senhora sabe onde fica o Dr... o Dr. João Romão...?
- Oi?
- O Dr. João Romão... a senhora sabe onde é?
- João Romão... hum... - com certeza fora só de sacanagem, mas ela fez a pergunta. - Qual a especialidade? - ficara extremamente envergonhado ao ter de responder àquela maldita pergunta que tanto evitara.
- Procto...
- AH, PROCTOLOGISTA! É ALI Ó! - disse ela, gritando pela primeira vez. Lembrou-se nesta hora de que, embora eficientes informantes, as tias ainda são humildes senhoras. Não agradeceu, preocupado com as pessoas que, ao seu redor, o fixavam com pena e muita graça.

Proctologista era ali. Uma placa gigante dizendo: Proctologia, Urologia e Ginecologia. Parece que recém a haviam colocado ali. Se soubesse que era tudo junto, perguntaria logo por urologia - ora, é menos... menos. Então, não havia mais nada a fazer a não ser sentar - com calma - e aguardar. E aguardou. Aguardou por muito tempo - muito tempo mesmo. Tão humilhado se sentia, que pouco se importava em sentar de frente ou de costas para o corredor, e acabara de frente, contemplando todos que por ali passavam - e diretamente o olhavam, com muita pena, ou com muita vergonha mútua. Para lembrá-lo de que aquilo era vergonhoso, passara pelo corredor aquela tia da limpeza, que, simpaticamente, perguntara em voz alta: "ACHOU?", ao passo que respondera que sim com a cabeça, e ela finalmente fora embora, falando consigo "é, João Romão, é..."

A questão é que o sujeito esperara ali por volta de 90 minutos, e um certo doutor chamava vários outros homens antes dele, cuja consulta já estivesse atrasadíssima. Será aquele homem robusto e intimidante o tal João Romão? O que esperava? É óbvio que era. E quando todos os pacientes foram atendidos, o Dr. Romão chegou até ele e, sem frescura alguma, afirmara:
- Espera só um pouquinho que eu acho que não passaram tua ficha pra mim.
- Ok. - e esperara por uns 5 minutos.
- Tu já passou ali no balcão? Tem que passar ali antes pra ser atendido, pra assinar o formulário...
- Ah, não passei...
- Ok, vai ali então e daqui a pouco te chamo.
- Vou. Obrigado. - e foi até onde o médico apontava. E querem saber onde era?

As gurias jovens e sorridentes o aguardavam sabendo de sua condição delicada. Compreensivas, ou não, tanto fazia, desde que tudo passasse logo e fosse para casa sofrer sozinho. Ela disse o preço, pagou. Assinou e fora mandado de volta ao local de espera. Fora triplamente humilhado, e, com mais calma ainda, tornou a sentar no sacrificante banco de espera. Vira, em alguns minutos depois, a moça passando por ele e entrando na salinha do Dr. João Romão, levando consigo uma pastinha com uma folha em cima, onde, em letras CICLÓPICAS, estava o seu primeiro nome. O que fazer, afinal?

A partir de então, assumira uma postura "moderninha", e encara tudo com muita naturalidade. Afinal, ''o que é um peido pra quem...'' Bom...




O resultado da consulta? Ah... nada muito surpreendente.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Capitão Mosca (Episódio 2)

Segundo episódio da série Capitão Mosca, famosa nos cinco continentes e em toda a área da circunferência do planeta terra.


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terça-feira, 4 de agosto de 2009