segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Perdas, Perdas e... (Ganhos?)


Aprendi com minha namorada (direta ou indiretamente) e com algumas outras filosofias de vida que, por mais que se esteja mergulhado no arroio dilúvio, ao menos se está nadando. E é pensando nisso, já que cansei de abraçar o capeta, é que ando mais tolerante com a vida (ao passo que ela me tolera cada vez menos).

Adquirimos um vídeo-game divertidíssimo. Não é preciso mais, para ser bom, a habilidade em games, mas sim a própria habilidade física ou mental. É quase um ENEM do lazer. Tanto é que meu próprio pai, que bem poderia ser pai do Atari, anda nos vencendo no boliche e no golf virtuais. Em vez de apertar em botões, utiliza-se o controle como o objeto de jogo (como a bola, ou como a raquete, no tênis), e então o controle faz as vezes daquilo. É divertido demais, não fossem as dores causadas pelo exercício, e a preguiça de ter que jogar em pé.

E no primeiro dia em que o vídeo-game chegou (sábado), bastaram algumas horas para que eu, divertindo-me como num verdadeiro estádio, me empolgasse. Não me perguntes como: quebrei o lustre novo da sala. Game Over.

Cheguei a pensar que seria proibido, como nos tempos de criança, de jogar aquilo - mas talvez utilizassem uma camisa de força, devido às circunstâncias. Passei a tentar convencer minha mãe, no entanto, de que o que valeu foi a diversão que senti até aquele momento. Funcionou. (O quê? Sim! De alguma forma, funcionou!)

Acontece que depois de um mês de férias suínas, esse vídeo-game viciante veio aparecer justo no penúltimo dia! "Peraí... vamos voltar à rotina muito mais felizes do que antes." Preparava-me psicologicamente para voltar a acordar às 5:50 todos os dias.

Tudo bem; se eu tivesse acordado na hora certa. O primeiro dia de volta, e "meu despertador não despertou". O que é uma mentira terrível, já que fui eu que não despertei ao ouvi-lo. Acordei uma hora depois do que deveria, já pensando: "o dia de hoje vai dar um bom post". "Isso aí, Lucas. Sempre positivo".

Corri para lavar o rosto e tudo que deveria ser lavado (ui) e enfiei (ui) qualquer roupa (uuui) no corpo (chega). Após, fui verificar os horários do próximo ônibus no computador. Dizia ali que era 7:20. Olhei para o relógio: 7:20.

A única coisa que funciona pontualmente em Viamão é esse ônibus. Esperei vinte minutos, junto de minha cadela drogada, dentro de minha sala, tomando todinho, já quase-puto-da-cara. Faltando cinco, resolvi partir.

Lá fui eu. Havia um problema: minha irmã já tinha ido ao colégio (ainda não sabia como, já que era eu quem deveria acordá-la), e eu não sabia como fazer para fechar o portão. Então tive aquela idéia de que tanto nos orgulhamos às 7:40h da manhã. "Vou abrir todo o portão (elétrico) e, logo após, apertar o botão para fechá-lo. Enquanto ele fecha, corro até lá e ultrapasso-o antes de fechar totalmente." Ótimo plano, Lucas.

Eu só não contava com dois poréns:
1º- o conserto recente do portão, que aumentou sua velocidade consideravelmente;
2º- a minha cadela;

Enquanto corria feito um desesperado, tropeçando duas vezes nesse bicho, que acorda e dorme já disposto a brincar e pular, tive de literalmente me jogar DE LADO contra o buraco que sobrava entre o portão e o muro; se alguém estivesse à rua naquela hora, teria visto uma cena de Hollywood. Não só pelo fato de eu ter quase me suicidado acidentalmente logo após acordar, mas também porque havia uma tempestade de tornados na cidade de Viamão, e ai de quem diga que estou exagerando. Árvores sacudindo, objetos voando, tudo isso e mais ao som da sinfonia eólica, um dos meus maiores temores sonoros, depois do trovão, da explosão e, principalmente, da flatulência. Mas eu sobrevivi até a esquina, e peguei o ônibus lá. "Pelo menos não tá aquele calorão infernal de ontem!", tentei me iludir.

O valor da passagem subiu. De R$ 6,50 para R$ 6,90, agora sim me sinto despedaçado ao voltar para casa, e cada vez mais considero aquele ônibus MEU. Porque já devo ter pago todas aquelas poltronas confortáveis, e vários meses de salário daquele cômico motorista que, não sei por quê, gosta de mim. Mas nem era ele, pelo fato de o horário ter-me sacaneado. Não havia como me conformar diante desse aumento. Calei-me emburrado.

Chegando ao destino, perdi duas aulas, logo de início. "Mas nem eram lá tão importantes". No intervalo, resolvi ir ao banheiro.

* FLASH BACK: Lucas, avó e mãe indo comprar um tênis para este. Na loja, Lucas compara preços, tamanhos e belezas, adquirindo um dos que mais gostara. Até então, muito feliz estivera. *

*FLASH BACK 2: Lucas tentando insistentemente aprender o Moon Walk, desde a morte de Michael Jackson, até então sem sucesso*

O banheiro é num beco do pátio, e até hoje eu sempre reclamava disso. MAS GRAÇAS A DEUS POR TEREM ESCONDIDO, OBRIGADO ARQUITETO, OBRIGADO! Digo isso porque, ao descer as escadas molhadas em direção a ele, descobri um segredo de meu tênis novo: possui um lubrificante especial na sola. Resbalei no penúltimo degrau e caí de bunda numa poça d'água. Olhei para trás instintivamente: vinha um guri que fingiu não ver, e sequer riu. Odeio. Quero mais que ria, para quebrar o gelo; eu sei que ele vai contar para seus amigos depois, e então rirá muito, o triplo do que riria ali. Mas ele não riu. Dentro do banheiro, havia um Mano Yo, que só fez "baaah", que foi muito bem aceito por mim. Só duas pessoas contemplaram a segunda cena cinematográfica da qual fui protagonista no mesmo dia chuvoso. Os número estavam melhorando consideravelmente; se eu continuar assim, um dia terei inúmeros fãs aplaudindo minhas quedas e meus mortais antes de ser esmagado por um portão de ferro. Mas não foi isso que pensei para me conformar da minha péssima compra... "Pelo menos, Moon Walk não vai ser nenhum problema!" E quase soltei um gritinho de alegria. Velha tática de mentir para si mesmo. Sempre funciona, em qualquer idade! Afinal, agora tenho idade suficiente para distribuir a duas, ou até três crianças. Quatro ou cinco, na verdade. Ok, vinte bebês. (ou 240 recém nascidos)

7300 dias. 175.200 horas. 10.512.000 minutos. Nos segundos, a calculadora deu erro. :(

Só faltava, então, uma sacanagem para me conformar. A passagem. Peguei o ônibus de volta correto, graças ao meu receio de perdê-lo também, e encontrei o meu amigo motorista. Perguntei-o sutilmente sobre a passagem.
- Por que ela nunca desce, só sobe? - perguntei sinceramente. Ele riu. Acho que considerou uma brincadeira. - Quando que sobe de novo, agora?
- Ah, agora só ano que vem...
- E por que ela sobe tão rápido? - disse eu, querendo qualquer explicação coerente...
- Ah, tudo né... pneu, gasolina, e o nosso salário, que aumenta...
- AH! O teu salário! Então tá beleza. Valeu!

E passei a roleta.

5 comentários:

Diane disse...

gostei da parte do cair de bunda :P eu sempre morro de medo que isso aconteça comigo. odeio dias de chuva!

um beijo

Patrícia Andréa disse...

Quase levou a cachorra pra aula junto... hehe...

Tá sumido hein... Nem aparece mais lá no meu blog... :(

Bjus e boa semana!

Marcelo disse...

legal a imagem do super-hiper-mega-ultra ônibus de viamão pra copa :P

Sergio Trentini disse...

aehoaeieaio
procura no youtube "wii fail"

Paola disse...

exageraaaado :P haha, não adianta, aquela filosofia de vida nunca se aplicará a ti. exige muito tempo e muita prática... aopeiaepoeiapaeiaepae vou passar mais tempo contigo pra rir mais x) te aaaamo ;@@@