quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Jason VS Ronald

Foi na sexta à noite que cheguei a Tramandaí, e, assim que desci do ônibus, fui recepcionado por minha namorada querida (Lola), por seu pai querido (Fábio), pelo primo fantasma dela (Gui) e por um casal de amigos nossos (Nelson e Jaque) - um momento emocionante no qual todos recitaram separadamente uma palavra de cumprimento, que, em uma frase, ficaria algo do tipo "bem-vindo Lucas, te recebemos com muito carinho!", frase muito bem elaborada pelo 'Fabião' (o verdadeiro Homer Simpson viamonense). Apesar de o Nelson um deles ter travado no meio (o que quase comprometeu a recepção), foi o melhor (e único) cumprimento grupal que já recebi em toda a minha vida. A partir daquele momento, tinha certeza de que, o que quer que viesse a seguir, seria divertido. A chuva bem que tentou, mas a única parte dolorosa do meu dia foi após a mistura de litros de SKOL com um potão de Torta De Bombom, a qual eu mesmo fiz! Talvez tenha sido por isso que eu tenha perdido 10% do tempo total. Como diria o meu amigo Bolicheiro, "passei ruim!"

Duas noites depois de chegar, o auge do carnaval pré-chuva deu-se no centro de Tramanda*, pelo menos até onde eu me lembro. E foi onde fomos jantar. Eu havia comprado pela tarde uma máscara de plástico barato, na qual investi a pecúnia de R$ 4,00. Era para parecer o Jason - aquele tio brabo que come cérebro - e até que ficou BEM realista. Provavelmente pelo meu porte físico, muito assustador (entendam como quiser).

* o "apelido" de Tramandaí;

O fato é que, trajado de minha máscara, fomos até o McDanado's procurando um hamburguer cremoso. À parte disso, fui para atazanar os Guardiões do Hamburguer. A quem pouco me conhece, percebam o que penso a respeito do meu maior dilema: o ódio pelo Mc X o amor pelo McCheddar. Sempre considerei esta instituição como uma verdadeira sequestradora, por deter em suas mãos uma preciosidade imensurável e fazer uso desumano desta. Pensei nisto assim que vi a máscara: a cara que os McEscravos fariam ao ver o Jason pedindo um #4 fresquinho com Coca-cola e batata grande. Os resultados foram os melhores possíveis.

Assim que entrei na fila, todos os clientes (em especial as crianças) me olharam desconfiados. Eu era o único mascarado, em que pesasse a data tão especial. Os mais bem-humorados sempre gritavam "meu Deus, o Jason!", aumentando ainda mais minha glória. Meus olhos eram as únicas partes visíveis aquém da máscara, e eu fazia um bom uso disso. Quando chegou minha vez, uma bichona* veio atender-me com aquele sorriso arrependido no canto direito dos beiços.

* emo ou pessoa afeminada contra as leis da natureza cujas atitudes não lhe permitem ser respeitado(a);

A bichona tentou (e quase conseguiu) manter-se sério até o fim do atendimento, mas seu 'instinto felino' o traiu quando eu sussurrei com voz de terror "Dois número 4, por favor".
- Senhor?
- Dois número 4.
A bicha olhou para a colega do lado dizendo que não entendeu, e ela lhe explicou "dois número quatro!". Então ele retornou, desta vez impaciente:
- Qual a bebida?
- Coca-cola.
- Ai, eu não consigo ouvir.
Neste momento eu engrossei a voz de uma forma que até eu me assustei:
- COCA-COLA!
A bicha deu meia-volta, conversou com uma gerente ou algo do tipo, e em poucos segundos, TODOS os McEscravos estavam me olhando, inclusive os McCozinheiros. Ouvi lá de dentro o McLíder do dia falar em voz alta "pede por favor para ele tirar a máscara... mas com educação!" e eu comecei a esboçar um sorriso muito preocupante por dentro do PVC. Não demorou para a bicha voltar.
- O senhor pode tirar a máscara?
- Não.
A bicha hesitou um pouco, olhou para uma colega e prosseguiu:
- Como é a forma de pagamento?

Eu lhe mostrei o cartão. Assim, não haveria de tirar a máscara. Ele passou, pediu para eu assinar, mas esqueci que poderia ter avacalhado aí também. Menos mal. O pedido demorou HORAS para ser atendido, provavelmente por preconceito a mim. Enquanto isso, eu acompanhava com um olhar fixo e lunático, parado na fila de espera, somente a McBicha, que volta-e-meia me olhava de perto ou de longe. Ele jamais sorriu nesse tempo, tampouco conseguiu me olhar por mais de 2 segundos corridos. Eu realmente me esforcei para parecer um comedor de cérebros.
Quando peguei a bandeja, levei até a mesa onde se encontrava a Lola e o casal de amigos. Eu só tirei a máscara na hora de mastigar o pão, apesar de ter tentado fazê-lo com ela. Algumas pessoas riram quando fiz tal menção.

Não tardou para que eu notasse que as duas batatas vieram médias, em detrimento da nota fiscal, na qual dizia GRANDE. Eu paguei mais e eles me sacanearam. Ao menos, tentaram.

Esperei eles se organizarem para fechar o caixa, visto que já era tarde. O segurança só permitia a entrada de clientes por motivos especiais (estávamos nas mesinhas do lado de fora). Comi um pacote de batata inteiro e metade do outro, e então peguei esta metade restante e dividi entre os dois pacotinhos de batata, sobrando umas poucas batatinhas em cada pacotinho. Agarrei a nota, vesti a máscara e voltei lá.

Falei para o McSegurança que ia fazer uma reclamação, e ele me liberou no mesmo momento. Então o Jason aproximou-se do balcão com dois pacotinhos de batata e com uma nota fiscal em mãos. Uma senhora veio me atender:

- Pois não?
- A senhora sabe me informar o tamanho destas batatas?
- Sim senhor, é média.
- A senhora pode ver a minha nota fiscal?
*olhou*
- Ah, agora é tarde senhor.
- O que é que diz aí?
- Grande?
- Então me vê duas batatas grande agora.
- Agora a gente tá fechando, senhor...
*suspirei*
- A senhora não vai querer se meter em confusão a essa hora, vai?
- O que eu posso fazer é dar uma grande só senhor.

Acompanhei com os olhos ela me servindo, para evitar salivas desnecessárias. Na realidade, uma batata grande a mais seria um lucro absurdo, já que havíamos detonado as duas médias E os hambúrgueres, ou seja, fiz isso por pura honra, motivado pelo quê meu avô paterno sempre dizia em sua sabedoria campeira: "quanto mais a gente se abaixa, mais a bunda aparece". Tá certo; ele não falava "bunda".

De qualquer forma, a McEscrava, contrariada, serviu-me com muito desprazer, e eu e minha parceira comemos batatinhas quentes e gostosas, como o cérebro de inocentes silenciosos.

Após, Jason pegador foi pular o carnaval de Tramanda, onde foi muito melhor recebido.

9 comentários:

Liliane disse...

Adorei. Fiquei te imaginando com a máscara do Jason e quase não consegui parar de rir. A história toda é hilária!
Beijos.

Marcelo disse...

Muito bom cara!
a bixona deve te ficado A-PA-VO-RA-DA!

Mxa disse...

Viamonense na praia só podia dar nisto, uma história bizarra, uhahuasuhuhasuhs.
Continue assim!
Abraços, Lucas.

Diogo disse...

Entrei no blog hoje esperando alguma história incrível do carnaval, sabendo que tu não me decepcionaria. Muito bom!

Jonas Kloeckner disse...

- O senhor pode tirar a máscara?
- Não.
Se tu conseguiu falar isso sem rir, o Oscar é pouco pra ti!!! haushausha Parabéns!

TAWANE disse...

Muitooo bommm....HOHOSAHSHAOHSAOH......uma excelente historia de carnaval
imagina a cara da bicha quando viu um jason na frente dela......hahahahahhhh
e ainda levou umas batatinha de gratis .. otima atitude,pq esses caras pensam que os consumidores sao idiotas!
Aindatorindooo

francielle disse...

Lembro quando estávamos indo pro show do Forfun e resolvemos passar no Mc donald's..."eu não como mc donald's", hehehehhe
Essa história tbm me lembrou da máscara de porco e da parada gay de viamão!!hheheh
Mt bom :)

Fabiana Folly disse...

Muito bom! Rindo muito aqui! Mcescravo, mcbicha! Ahahahahaha! Adorei!
"Quanto mais a gente se abaixa mais a bunda aparece". Sabias palavras...
Abraços!

Barradas disse...

Anus embriagato dominus ignoratum.