terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ignoro Placas


Estou neste momento no SAT (vide posts anteriores), mas do Bom Fim, próximo à redenção. Não veio absolutamente ninguém até agora, a não ser um senhor ceguinho perguntando o número que estava bem grande ali na frente. Demorei meia hora para encontrar o local e mais meia hora para abri-lo, o que, bem sabemos, é um tempo recorde em se tratando de minhas débeis habilidades práticas.

Às 11:30 (há vinte minutos) percebi que este local não possui um banheiro. Passei a chave e fui em busca de um, passeando pelos casebres bonitos do comércio circundante aqui na Osvaldo Aranha. Encontrei uma vitrine que parecia de um consultório, ou de um SPA, tão branco e limpo era. Não pensei nem um segundo mais e entrei, menos por necessidade do que por curiosidade. Assim que abri a porta, uma moça simpática e limpinha veio me entregar um papel, cumprimentando-me naturalmente; eu agradeci e então caiu a ficha: eu estava num restaurante. Pensei: "bom, daqui a pouco já seria a hora do almoço mesmo..." e resolvi entrar. No entanto, percebi que alguma coisa estava errada. Havia somente pessoas neutras, sem muito ânimo e tampouco fome. No buffet, havia somente fila em uma das duas partes. Ao chegar perto, percebi que 70% da mesa era composta por frutas e por saladas, e essas coisas que coelho come... e era justamente onde as pessoas, civilizadamente, concentravam-se. Sem pudor algum, pulei todas e servi-me tranquilamente de arroz: o primeiro prato da parte das comidas de verdade.

Depois veio o feijão; ultimamente venho provando-o de diversos locais, mas sempre um pouco só. Adiante, começaram a aparecer aquelas coisas às quais não me aprochego, como molho de sei lá o quê, espinafre com massa de ervilha, ricota sei lá daonde... peguei a polenta mole mais adiante e então pensei: agora é a vez da carne, e quando finalmente cheguei no último prato...

- Com licença, não tem nenhum outro tipo de carne?
- Não senhor, somente o peixe com ricota ao molho de champignon, senhor.
- Hum, tá. Obrigado.

Peguei um desses, mas totalmente contrariado.

Quando estava sentado em uma das límpidas mesas, aguardei por muito tempo algum garçom vir me perguntar o que tinha para beber. E ninguém veio. Antes de reclamar do atendimento, resolvi ser engraçadinho e olhar ao meu redor. Não vi uma latinha de refri, uma garrafinha d'água, nada, senão copos de vidro com o mesmo suco. Preferi acreditar que todos eram estranhos e fui de novo a um dos garçons.

- Como funcionam as bebidas aqui?
- Só tem suco, e o cliente pode se servir à vontade! - completou com orgulho.
- Ah, tá. Obrigado.

Literalmente obrigado, obrigado a tomar aquele suco. Pensei "pelo menos um suquinho de laranja ou limão..." mas não foi tão surpreendente quando li: Suco Concentrado de Caju e Suco de Abacaxi com Manga. As opções eram tão ordinárias que eu comecei a rir enquanto decidia entre duas coisas que não gostava.
Sentei na mesa de novo com um certo receio. Todo mundo ao meu redor era limpo, bonito e provavelmente cheirava bem. E eu lá, reunindo tudo que não era verde e nem gelado, fui considerado um estranho, principalmente por ter servido o "prato proibido", o temido 'Ovo Frito Sem Gordura'. Eu era um verdadeiro bad boy.

Após o primeiro prato, percebi que havia sobremesas. De fato foi a única parte que valeu o preço razoável que paguei, o que me fez cogitar que talvez aquele lugar fosse uma grande sobremesaria, tendo o almoço como cortesia, acompanhamento.

Ao sair de lá, sentindo-me bem mais vazio do que quando entrei, resolvi olhar para cima e ler o que estava escrito. Não vou difamar o local com seu nome, mas sirva a quem servir, eis o seu lema:

"Natural Sem Ser Radical".

9 comentários:

Liliane disse...

Tá bom... Antes de entrar é prudente olhar o nome do lugar. Quando começaste a descrevê-lo, imediatamente percebi que era um restaurante 'natural', só não esperava o 'sem ser radical'. E olha que ali, bem perto, tem um restaurante maravilhoso que, com certeza, irias adorar. Pelo menos, tens feito incursões curiosas pela capital gaúcha.
E continuaste sem fazer nada o resto do dia?
Beijos.

Max disse...

Eu queria ter visto isto, ele pagou por todas as vezes que almoça lá no centro e passa reto pelas verduras, dizendo só ir nas "comidas de verdade", husahuhuhsauhauhusauhsh.
Brincadeiras à parte, continue assim Lucas!
Abraço.

Diogo disse...

Se a Cleci te vê entrando em um restaurante desses...

Diogo disse...

Visitou o restaurante Equilibrium?

Lucas disse...

ASUDHAUSDHUAHASDU o Max adoraria me ver nesses apuros.
Liliane, realmente não fiz nada o dia todo. E na hora de ir embora ainda me apareceram dois caras pra arrumar o ar condicionado ¬¬

Diogo, como tu sabe, cara?asuhausha

Marcos disse...

Qual era a sobremesa?auhuahus

Lucas disse...

Umas tortas de chocolate gigantescas

Jonas Kloeckner disse...

Sei como se sente com esta curiosa experiência. Certa vez, nossa amigo suéco e sua mãe, me levaram em um restaurante natural no centro de Porto Alegre. Temo em admitir -gaudério que sou- que comi carne de soja ao molho de tomates verdes fritos. Deprimente.
O banheiro, de fato, era limpo. Conclusão: carne suja banheiro.

Juliane disse...

ei não é o Restaurante Natural do Moinhos de vento nao =)? EU ADORO AQUELE LUGAR XD! O peixe é bom, os molhos são bons e a melhor parte são os suco!! (sim, eu estou falando sério). Nao cheguei a provar o de caju até hoje mas um dia provarei =)é que minha vó mora ali do lado dai to sempre lá mas enfim, pelo comentário acima ja sei de alguem que nunca levarei nesse restaurante XD huahuahua
adeus meu querido, seus posts rendem conversa para mim e o tio klêks, continue assim =) beijos