quarta-feira, 15 de abril de 2009

Amoeba e Falos

Hoje tive umas aulas interessantes. Na primeira, falavam-me de amebíase, a velha ameba do colegial, responsável por uma caganeira sangrenta e por uma febre dos diabos. O "bichinho" não é um animal, mas sim um protista, um protozoariozinho chamado Entamoeba histolytica. Lembro-me de que, ao ouvir esse nome, veio na minha cabeça (direto) a imagem daquele querido e respeitável brinquedo, ou apetrecho sexual - afinal, quem nunca transou com uma amoeba?

Percebi que a amoeba tinha várias, inúmeras funções (gente, eu estava... hum... brincando ali em cima, tá?), ela tinha quase vida própria. Inclusive, vontades próprias. Disse isso ao lembrar de um episódio que tive o prazer de acompanhar e aqui vou relatar. Algumas pessoas ainda me perguntam o porquê do nome do Blog (ok, ninguém pergunta, é só uma forma de eu me sentir importante), e acredito que agora fiquem cientes de que em qualquer brincadeira, seja ela de bom ou de mal gosto, é preciso ter muito cuidado para não afetar o cosmos e a harmonia intergaláctica. Meu amigo, Dr. Pedra, quando criança - é claro, já que a amoeba é coisa do passado - teve uma brilhante idéia para satisfazer a ele, e SÓ a ele mesmo. Nessa época da vida, as crianças estão em fase de descobrimento do corpo, e toda essa baboseira. Infelizmente, muitos de nós não saímos dessa fase (quase todos, confesso), uma vez que, hum... o falo sempre foi idolatrado desde a antiguidade; nós todos, durante a infância (para não citar os acontecimentos recentes) sempre utilizamos a imagem do falo como algo ilustre, representando toda a virilidade masculina, ou seja, como uma bela maneira de extrair risadas. E, convenhamos: sempre funciona.
Dr. Pedra, para dar boas risadas, desenhou a grandiosa imagem fálica com uma amoeba. Não satisfeito com sua consistência amebíaca (molenga, fluida), resolveu colocá-la sobre o acolchoado de seus pais. Acabou por lá esquecendo, imagino; o fato é que, por forças superiores, unir a imagem de um falo à poderosa alma da Amoeba, o resultado é marcante. E marcou a colcha para o resto da vida.

Cuidado? É o que eu não tive em 2003, quando, em plena oitava série, descobrimos como se faz carimbos com uma canetinha hidrocor e uma borracha. E qual foi a primeira (e única) imagem que utilizamos para teste? Fálica, obviamente. Nenhum de nós é gay pessoal, por favor; não imaginava que seria tão vergonhoso contar isso anos depois. De qualquer forma, eu tive o prazer de criar o meu primeiro carimbo fálico em uma aula de espanhol, cuja professora era extremamente chata. Estávamos em vários. Dentre estes, Dr. Pedra, o atrevido menino amoébico, e Jorge, um gordinho engraçado. E um livro didático (que, óbvio, não era do colégio, mas da professora). E um carimbo fálico recém criado por mim.

Ficamos naquele impasse. Carimbar o caderno dos amigos já não era engraçado, era praxe; e os bebedouros já estavam lotados de caralhos carimbados... algumas paredes e a pele de alguns. Mas o livro da professora era um desafio bem mais tentador. Porque haveria consequências.

Isso se alguém pegasse. Eram tantas, infinitas páginas! Que custava carimbar umazinha? Bom, eu calibrei o carimbo, abri a página e posicionei a mão... era tão cruel a dúvida! Fazer ou não fazer? Olhei para meus amigos. Todos incentivavam; "vamos, faz logo!", mas não podia ser assim, eu queria pensar mais... talvez eu nem quisesse fazer aquilo de fato mas... não tive escolha. Alguém empurrou minha mão, carimbando a página bem no meio. Deves estar perguntando-te que maligna alma, leitor, teria coragem de fazer isso. Ora, a mesma que desenharia um pênis em gel na coberta dos pais! Dr. Pedra fez-me carimbar o livro com um grande e nojento falo, e agora era tarde. Ele roubara não só minha coragem, como o mérito; e a isso atribuo o fato de ter carimbado mais três ou quatro vezes aquele livro semi-inútil para alunos do ensino fundamental viamonense. Mas tudo bem, ela jamais iria descobrir. A aula estava acabando, fechei o livro e pedi para alguém entregar para mim. Quem?

Gente, é preciso ter muito cuidado, inclusive ao mandar alguém fazer as coisas para você. Eu jamais teria passado por tamanha vergonha, caso tivesse levantado a minha bunda fálica da cadeira e entregado o livro em mãos à professora raquítica. Mas quem teria coragem de dedurar um amigo? Quem? E por que diabos destaquei Jorge?

Ele não fez por inimizade, mas por ser cagão mesmo. Ele deve estar lendo isso agora; saiba que te amo, mas que puta sacanagem fizeste comigo naquela manhã, hein?

Meus pais foram chamados pela primeira vez. Fui tratado como um ser à parte do mundo real por muito tempo. Meu pai, por não enxergar bem, concordou apenas com a Rosa, empregada pseudo-poderosa da instituição. Minha mãe percebeu na hora, e contou pra ele de uma forma muito engraçada.

- Tu não viu? Tinha um pênis enorme naquela folha!

Eu não contive o riso interno. No entanto, me conteve o medo, enquanto apagava com errorex aqueles falos t0d0s: por sorte, la maestra não cobrou aquele instrumento jamais utilizado antes.

7 comentários:

Paola disse...

Dr. Pedra! aoeiaepoiaepoae
Essa vida de colégio foi bem produtiva, haha! Espero nunca encontrar nada meu carimbado, Sr. Luga.

Uma beijoca.

Marcelo disse...

Não conehcia essa história do Dr. Pedra, até demorei pra me dar conta de quem era...

O jorge ainda é gordo?

Lucas disse...

Não é gordo, é normal atualmente, e continua gente boa (mas parou de ouvir rock, e não tenho notícias da coleção de vídeos pornôs do século XIX do pai dele)

Não costumo mais fazer esses carimbos, meu amor hahaha (mas quem sabe numa crise de nostalgia, né?)

Sergio Trentini disse...

muito bom, cara.

Marcelo disse...

Jorge! claro!!!
como não me liguei antes!?!?

Dr. Pedra disse...

Confesso que fiquei espantado pela capacidade de memorização do jovem rapaz. Sinto-me muito honrado de constar nos anais da história.

Saudações de Pedra MD

Lucas disse...

Minha memória é tão vívida quanto a dolorosa marca que eternizaste em meu peito juvenil.