terça-feira, 20 de abril de 2010

Um Domingo de Cinema

Na terça-feira retrasada (dia 6/4) conheci um americano (Mr. Donald, ou "Don") perdido nos corredores da SMTUR. Ele era idêntico ao John Locke, do Lost - este senhor com cara de sábio na frente de um marzinho. Não só a fisionomia, mas as roupas e até a voz; tenho dúvidas de que não conheci de fato o Locke em pessoa.
(Notem a semelhança na foto ao lado: eu, Don e Marcelo) 
Orientei ele quanto aos passeios do ônibus, e o vi por mais três vezes no mesmo dia. Conversamos bastante. Ele é de L.A. e acabamos trocando emails, nos quais me prontifiquei a ajudá-lo com quaisquer dúvidas ou informações necessárias na grande cidade. Não satisfeito, convidei-o para provar o legítimo churrasco gaúcho lá em casa, ocasião na qual foram muitas pessoas só para conhecê-lo.
Após as apresentações, servi de tradutor do índio velho pelo dia todo. Provou a carne gaudéria, nunca tinha visto aipim e tampouco farofa. Jurou gostar de tudo, inclusive da ovelha - da qual não era fã antes.
Alguns minutos depois do almoço, jogamos bolixe (eu, o americano e meus queridos amigos, Marcelo e Liliane). Claro que pelo vídeo-game. A despeito de nunca ter visto um wii na frente, o cara jogou bem, inclusive fazendo poses típicas do esporte - a Liliane acredita que ele tenha jogado bolixe regularmente num passado distante, com o que concordo. A propósito, a própria também estava estreando nesta modalidade virtual e saiu-se tão bem ou até melhor que o gringo. Durante o jogo, um avião passou bem próximo da nossa casa; momento em que não pude deixar de sacaneá-lo. Sabedor de seu passado militar, logo o deixei a par do que estaria acontecendo: "Eu não te contei que estamos em guerra com a Argentina?".
Para quê? O cara ficou BRANCO, mas BRANCO. Olhou no fundo dos meus olhos com uma expressão desesperada e pronunciou as palavras trêmulas: "You're kidding me."
Eu comecei a gargalhar, contei para todos da sala e fizemos questão de recordar disso várias vezes durante o dia. Algum tempo depois, ou antes, não lembro, estávamos todos sentados na sala e eu resolvi mostrar ao pessoal um episódio de Lost, no qual aparecia o tal John Locke. Todos - inclusive o próprio Don - riram muito. Porém, jamais faltou-se com o respeito, o que fora reconhecido de imediato pelo senhor de 69 anos com aparência de cinquentinha.

O fato é que nos divertimos a lot.

Após, levamos (os mesmo citados) o senhor yankee até a cachoeira de Morungava - aquelas das quais falei no post do Palavra da Vida. O cara pirou. Acho que o apelido "John Locke" nunca soou tão bem, devido às roupas neutras e sua adaptação imediata ao meio selvagem. Só não caçou um porco do mato porque não tinha porcos do mato em Morungava.

Após tirarmos várias fotografias, que postarei aqui no futuro (assim que esse salafrário me enviar), voltamos para casa, conversamos um pouco com os que restavam lá, apresentei-o à minha avó (que estava muito nervosa para conhecê-lo) e então levamos para conhecer o tal "Rodízio de Pizzas" que existe no Brazil, e ele se lambuzou na Fragatta. Deixamos o sujeito no seu Hostel, no qual teve o celular roubado.

Dias depois (quarta passada) eu, a Liliane e o Don almoçamos num restaurante magnífico, do qual ele virou fã. Começou a me chamar de Leonardo, por causa do "Leonardo Di Caprio" (que aos ouvidos dele soa como "Lucas Di Marco"; eu sei que não tem nada a ver, mas vai entender esses californianos reformados...). Ele também passou a se auto-denominar John "C" Locke, apesar de nunca ter assistido a Lost e nem ter ouvido falar antes de eu lhe apresentar. Questionado sobre o porquê do "C" no meio do apelido, não soube responder, dizendo que simplesmente achou que soava bem. A partir daí, achei melhor suspender o vinho.

Este sujeito bacana não é um americano típico, como bem sabemos eu e a Liliane. Ele não come fastfood, não toma coca-cola, adora uma verdura e quase não vê televisão. Além do mais, tem idéias anti-governamentais e aposta numa conspiração dos EUA nos ataques terroristas de 11/9. Ou seja, o cara é quase um canadense. 

Atualmente, encontra-se no Uruguai, enquanto manda lembranças frequentes para mim e para sua namorada nigeriana de 26 anos, que o espera nos EUA. Prometeu-nos conforto e hospedagem quando bem entendermos, além de um passeio exclusivo pela grande Holliwood.

Grande, grande Don.


9 comentários:

Marcelo disse...

O cara é muito gente fina mesmo!
Foi bem divertido aquele final de semana!!!

TAWANE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
TAWANE disse...

té que enfim um novo post Leonardo Di Caprio quero dizer Lucas Di Marco!
Poxa nunca imaginei que um dia ouviria falar que exite um 'estadunidense' que realmente não come fast food e nem ve tv.! Nossa uma grande experiência.
Aquela da guerra foi muita crueldade..hauhsuhaushaahahsuahsuahuaDOREI!

beijo Lucas.

Costa disse...

sempre é muito conveniente conhecer esses caras de fora. caso se dê um pulo por lá.

enquanto estávamos no Canadá conhecemos, eu e meu tio, um australiano. Nos ofereceu pouso e talicoisa. Uma pena que ficou evidente o sentido sexual que ele quis dar pra coisa toda. :T

Lucas Di Marco disse...

Aposto que tal sentido tornou as coisas muito mais interessantes para o teu tio.

Teresinha disse...

Muito legal esta experiência. Me fez lembrar de um belga que conheci fim de semana passado, gente muito fina, espero vê-lo novamente.

beijinho
Teca

Diane disse...

Bela história! Adorei :) Não é todo dia que se encontra alguém que muito bem podia ser Mr. Locke por aí. :P

Sortudo!


Um beijo,

Teresinha disse...

Vocês não acham que o Lucas bem que pode ser muito parecido com o Felipe Massa, acho que a Fátima tem razão.

Liliane disse...

O domingo foi memorável! Don é um grande sujeito o que, junto com a magnífica companhia de Marcelo e Lucas, fizaram de todo o dia algo para se guardar junto com as boas recordações que se tem na vida. Além, é claro, das escadas!!!!!

Ps.: também adorei o belga do último final de semana... Ele é um sujeito muito, mas muito especial!