quinta-feira, 25 de março de 2010

Confissões - Parte I

Ontem me ocorreu uma lembrança, a qual despertou uma vontade, que naturalmente me levou à consciência de que já tenho maturidade o suficiente para retomar alguns assuntos. Quando criei este blog, perguntei-me se um dia versaria sobre isso; no entanto, tinha certeza que, de uma forma ou de outra, viria à tona. No fundo, eis um dos motivos para tal endereço; cá estou, pois.

A Vaquinha Caolha

Fato: comecemos pelo pior de todos, então. Se você aí optar por nunca mais falar comigo após ler isto, dar-lhe-ei toda a razão. No entanto, não olvidem minha prematura idade nestas épocas. Certo dia, quando ainda morava num sítio no interior de Morungava, aos onze anos, ouço meu pai chamando meu nome. "Lucas! Vem aqui, rapaz!". Pelo tom de voz, já percebi que sofreria alguma punição. Restava saber o que era desta vez. Ao chegar, cabisbaixo, na parte de trás da casa, encontrei-o junto de um vizinho campeiro e uma vaca. "Foi tu que atirou no olho dessa vaca?"

Versão contada: estava eu no campo, certo dia, junto da espingarda de chumbinho de meu pai. Encontrei uma vaca deitada a uma certa distância e alguns pássaros brancos em cima da cabeça dela. Mirei nos pássaros e disparei algumas vezes, então eles fugiram e eu voltei para casa.

Versão real: de fato, eu queria atirar na vaca. Mas calma lá: eu jamais quis cegá-la. A distância que calculei na minha versão era a verdadeira - vários, vários metros (uns 8, ou 10m talvez). Mesmo que eu tivesse mirado em seu olho, jamais o teria acertado propositalmente. É que eu tinha ouvido falar que o couro da vaca não permitia a passagem do chumbo, e logo quis testar. Constatei que era real ao atirar em seu corpo. Ela sequer se mexeu - o chumbinho tocava nela e caía. Os pássaros de fato existiam, e foram eles que me chamaram a atenção para algo: o couro da cabeça dela talvez não fosse tão duro. No entanto, jamais imaginei que machucaria; é um animal tão forte. Mirei - de muito longe, ainda - em sua cabeça "para ver o que acontecia", e quando disparei, a vaca se mexeu um pouco, mas permaneceu deitada. Quando notei que a havia ferido, saí correndo de volta para casa, guardei a arma e fiquei refletindo por muito tempo. Prometi jamais atirar em um animal de novo - o que, de fato, cumpri, se desconsiderarmos o reino dos insetos. Se por acaso meu pai ler isso e procurar satisfações, devo lembrá-lo da história do lagarto - a qual não se tratara de um simples teste infantil.

Punição: uma leve chantagem emocional paterna.


Eu Quebrei Aquele Espelho

Fato: na plenitude de meus 16 anos, fui a uma festa no Condado. Só havia "conhecidos", o que não é nada anormal em Viamão. Apesar disso, não conhecia 80%, afinal, grande parte era composta por Simpatizantes de Maloqueiro, uma raça muito comum na juventude acerebrada atual. Por algum motivo - álcool - eu cheguei ao banheiro junto de um amigo do Diogo (um sujeito sem clavícula) e lhe comuniquei que iria soquear um espelho médio. Ele duvidou. Então eu dei um soco, e nada aconteceu. Fui motivado a tentar novamente, e desta vez fi-lo mais forte - e quebrou. Neste momento, saímos correndo (eu, cambaleando), e enquanto ele conseguiu fugir para um lado, um pseudo-maloqueiro resolveu cabecear meu olho. Após a festa, minha mochila foi roubada de um quiosque com várias roupas dentro. Concordo que, nesta noite, agi como um deles, mas não parecia tão absurdo após algumas doses de destilados.

Versão contada: estava no banheiro um sujeito que não conhecia vestindo preto - este tal amigo do Diogo - e ele quebrou o espelho, tendo saído correndo após. Assustei-me e corri junto para não pensarem que fui eu, e logo fui cabeceado por um maloqueiro. Não satisfeitos, roubaram minhas mochilas.

Repercussão: fui punido rigorosamente pela consciência. Assim que o contei, meu pai resolveu ir na casa da organizadora da festa, e após na polícia, e só não foi à justiça porque a audiência o aconselhou a desistir. Tive de contar a mesma versão nestes locais, o que me tirou o sono por muito, muito tempo.


Bom, já estou quase chorando aqui por ter compartilhado o dark side of Di Marco com vocês. Quando o momento chegar, devo contar-lhes mais algumas coisinhas. Espero que fique entre nós, porém.

13 comentários:

Lucas Di Marco disse...

Comentem, eu to começando a ficar preocupado...

francielle disse...

Naõ te preocupa que eu não vou deixar de falar cntg por causa dessas revelações (afinal já conhecia elas, hehe).
Lembro que eu ficava mt irritada quando tu achava que ter quebrado o espelho era algo certo e que tu não merecia ter ficado com o olho roxo (lembrei agora como teun olho ficou; parecia que tu tava com sombra, hehe)
Mas são coisas abobadas que fazemos na juventude...velhos tempos aqueles, aiai...hehehhe

Diogo disse...

Eu ainda estou do teu lado, Luquinhas! Achei que tu ia contar daquele teu episódio de Necrofilia. Há coisas que fazemos que nos perseguem a vida inteira. Vou dar uma confessada lá no meu caderno também.

Liliane disse...

Confissões têm um lado bom. Nos liberta do assunto confessado.
Todos nós temos nossas histórias de juventude. Ninguém passou por esta idade sem aprontar algumas, ou muitas. Eu, por exemplo, junto com 2 ou 3 amigos, tentei furtar o carro do meu pai. Quando o motor não funcionou, acabamos por tentar fazê-lo "pegar no tranco", já que ele estava no topo de uma lomba. Como ele não pegou, estacionamos o mesmo no final da lomba, cerca de 200m de onde estava, e guardamos a chave no mesmo lugar. Minha mãe só foi saber a verdade do que tinha acontecido cerca de 15 ou 20 anos depois. Assim, "quem não tiver pecados que atire a primeira pedra".

Liliane disse...

Ainda bem que furto de uso não é crime e que, mesmo que fosse, depois de tantos anos, estaria prescrito.... hahahahahahahahaha

Diogo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ataraxia Apática disse...

Encontrei vc em um comentario de um blog alheio, no qual ne se que tomei ciência do nome, so sei que você comentava revoltado apos de uma postagem sobre gauchos e na minha profunda falta do que fazer vim aqui olhar quem é você e acabei lendo algumas de suas postagens e achei legal o jeito como escreves, [mas devo confesar que vc me deu um pouco de medo] srs zuei.
Achei bem interessante seu blog.
Te seguindo apartir de hoje.

Jana disse...

Você deve ter mais cuidado que o Capitão Gancho ao coçar o saco.

Barradas disse...

Todo mundo faz essas coisas. Eu ainda não parei, mas restrino os danos causados ao meu próprio corpo (mecanicamente, não quimicante): sempre me machuco.

Meu irmão, no auge de sua loucura, tinha o hábito de quebrar alguns banheiros nas festas. Um dia foi a uma festa na casa do Lasier Martins (era o aniversário de 18 anos da sobrinha do velho...). Lá ele foi ao banheiro e encontrou o vaso sanitário levemente solto.
Arrancou e botou em outro lugar.

Belo.

Lucas Di Marco disse...

Teu irmão é perfeito.

TAWANE disse...

menino mal carater.........haoshaoshaohsoahoshaohskkkkkkkkkkkkkkkkkk eurimtolendo

Marcelo disse...

que mira hein! acerto a cabeça da vaquinha :S

Bruna disse...

Consegui te perdoar tranquilamente pelo espelho.
Mas ainda sinto remorso pelo olho da coitada da vaca. ¬¬
Quando eu soube que meu pai brincava de estilingue, acertando passaros eu fiquei muito brava, só me acalmei pq ele era um pirralho quando fazia isso.

Cada história...