sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sopa de Luquinhas


Não foi uma chuva - foi o apocalipse. A água que afogou meu algodão nessa terça-feira era suficiente para encher um tanque, ou quem sabe uma piscina! (Lá vem ele de novo com seus exageros). Mas é verdade.

Eu vesti um abrigo, em vez do jeans, pela primeira vez em vários meses. Não fazia idéia do que estava por vir. Como estava atrasado, vesti qualquer coisa, tirei meia-remela, enfiei um tubo de pasta e bochechei; após, acordei a irmã para abrir o portão. Olhei para o relógio: faltavam dois minutos para o jato passar, e eu precisava correr. Até aí, não tinha percebido que o tufão estava armado, tal como o tempo, de fato. Precisei ir até metade do pátio para perceber (e aceitar) que precisava de um guarda-chuva. Então voltei correndo, resbalando na entrada (o que quase me fez acordar) e capturando o objeto preto e barato. Esses dias andei pensando...

Alguém já percebeu o quão vulnerável é um guarda-chuva? É o único artefato do cotidiano que consegue ser uma especiaria - tamanha sua importância- e um lixo-escambo - tamanha sua fragilidade, e tudo ao mesmo tempo. Eu queria poder, um dia, guardar muito dinheiro e comprar UM guarda-chuva ótimo. Mas eu nunca encontrei! Não é questão de dinheiro, é questão de mercado: guarda-chuvas foram feitos para serem péssimos, para nos deixarem na mão quando mais precisamos: naquela terça-feira.

Naquela terça-feira, percebi que ia ficar na mão quando minhas mãos estavam encharcadas; algo estava errado, além do vento quase me levar lomba abaixo. "Meu guarda-chuva se matou... de solidão"...

Meu guarda-chuva se entregou, desfaleceu na minha frente. Tentei ressucitá-lo, quando vi que ele havia se invertido (toda a parte do tecido virara para cima), mas fora tão inútil quanto fazer boca-a-boca num cachorro. Usei-o daquela forma, e já naquela hora estava eu molhado da cintura para cima, como se tivesse caído numa poça ao contrário.

Ao chegar na esquina - local de destino - já diriam que "aquele louco se atirou na piscina", porque minha calça de abrigo - antes preta, agora totalmente DARK - poderia ser torcida facilmente, e foi isso que fiz ao chegar no ônibus.

[OFF]: Lembram daquele indivíduo que sofreu ataque epilético, do qual contei nos posts de julho? Ele morreu! Sim! O problema dele, conforme descobriram mais tarde, era no coração, e não na cabeça, da qual estava se tratando. Diz-se que o tamanho de seu coração era muito superior ao normal, o que o levaria à morte mais cedo ou mais tarde.

[ON?]: O sujeito que diz que 'frio é psicológico' deveria ser depilado na Sibéria. O que eu sentia era uma sensação de morte, parecia que eu estava dentro de um cubo de gelo derretendo-se-me. Molhei toda a poltrona, coitada; e não fora menos que isso que me motivara a ligar para minha colega - e enteada do meu tio - em busca de socorro. Às 6:48 da manhã.

- Amanda, te acordei?
- Ah, sim... mas pode falar...
- Tá, eu sei que vai parecer estranho o que vou te pedir - risinhos tímidos - mas... tem como tu levar um secador de cabelo pra aula hoje?
- Ah, Lucas, eu não vou na aula hoje...
- Não vai? - o sorriso se desfaz num desespero interiorizado.
- Não, não vou... tá chovendo muito, e minha vó não deixou eu ir...
- Ah bom...
- Mas eu peço pra minha amiga levar, ok?
- Tá, pode ser então. Obrigado, até.

Achando que meu carisma finalmente me renderia, tentei não dar bola pelos próximos 90 minutos para a minha calça ardente de umidade e de frio. Será?

A amiga dela me levou nada mais, nada menos do que uma toalhinha de mão. Ao questioná-la por quê, obtive como resposta uma deliciosa obviedade:

- O secador era muito grande.

Nada melhor do que o tempo - o mesmo tempo - para curar nossas pernas aguadas e nossos guarda-chuvas suicidas, que, aliás, ainda dá para o gasto, em se tratando de garoa ou sereno viamonense.

8 comentários:

Marcelo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo disse...

malditos guarda-chuvas(?), todos vagabundos. Isso sempre acontece com o meu, mas eu "soco" ele no ar (aberto e "invertido") e ele volta ao normal..

mas até que eu gostei da chuva hoje, teve jogo e foi bem legal :P

Sergio Trentini disse...

agora entendi porque te encontrei sem guarda-chuva e cantando a musica do guarda-chuva suicida. ohiaeoiaehoieaea

Diane disse...

guarda-chuvas são um lixo mesmo! odeio ficar carregando...

tenha muito cuidado com os apocalipses viamonenses (só aqui tem mais de um)... ;]

Paola disse...

aopeieapiaepae pena que ela nao levou o secador :( e com certeza dessa vez não foi exagero, tava chovendo muito! nhamo, nhac!

Lucas disse...

que amoooor, te amo te amo! *-*

Diogo disse...

Realmente, pena que ela não levou o secador. A história ia ficar ainda mais interessante asuhasuhsahu

Patrícia Andréa disse...

Putz... E eu esses dias tb peguei uma chuva... e acabei pegando gripe... ainda bem q ñ é aquela gripe... ;)

Bjus!