sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Nunca Deixe Passar da Bunda


Ontem o Marquinhos me pediu para que postasse, dizendo para contar coisas do cotidiano, coisa que ele mais gostava. Eu lhe disse que o problema estava aí; nada demais tinha ocorrido nos últimos dias, nada que pudesse interessar vocês, meus bons amigos e ainda melhores leitores.

E foi hoje, na sexta-feira, que resolvi me soltar (ui), botando uma cueca largadona - até demais - para que meu dia fosse bem largadão. Às seis da manhã, então, saía eu de casa com esta magnífica invenção do homem que, como todas, nos deixa na mão algum dia. Ao chegar na parada de Porto Alegre, porém, já tinha esquecido como era caminhar com aquele tecido escorregadio por entre as nádegas, e posicionei meu então casaco tapando as costas, de modo que não aparecesse nenhuma cavidade anterior. E segui até a aula, passando o tempo todo com aquela preocupação: "estaria descoberto o princípio de meu assento?" ou, em português laico, "alguém tá vendo meu cofrinho?".

Bom, quando esta tortura cultural e estética parecia terminar com o fim da aula, despedi-me de meus colegas ao redor e fui-me ao ponto de volta, a sete minutos dali a pé. Ao meu lado, porém, a infelicidade do destino pôs um conhecido meu que, por acaso, vai até a mesma parada e pega o mesmo fuckin' ônibus. Logo na esquina, senti que a cueca maltratada descia literalmente até a metade das nádegas. E, parte por desleixo, parte porque vinham atrás de mim centenas de alunos do mesmo curso, resolvi não tocar um dedo sequer na maldita, uma vez que a calça jeans tapava "o que precisava ser tapado". Mas, passando a esquina, os movimentos oscilatórios das coxas, além do pêndulo em altíssima frequência, fizeram com que a coisa fosse ficando pior - deixei passar da bunda.

E quando passou da bunda, a muitos e muitos metros de distância da parada, comecei a me desesperar, o que significa que mantive a máxima calma possível. E o cara do meu lado começou a estranhar, porque passei a andar muito devagar e a passos de formiga, evitando um vexame maior. Ainda subiam a rua comigo diversos estudantes que, certamente, apontariam para mim no dia seguinte. Um apelido eu iria ganhar; "bundinha", ou "bundalelê", ou seja lá o que fosse, eu não podia passar por isso, e se alguém aí lembrou de algo bobo, que nos remeta a 2003, não comente, há vários outros posts legais.

Mas conforme ia chegando na outra esquina, a situação passou dos limites. Literalmente, estava "levando nas coxas", e já não podia dar aquelas passadas naturais, tudo ia ficando completamente arriscado; e um outro plano me passou pela cabeça: acelerar o passo. Quanto mais me afastasse daquela gente, menos problema teria em resgatar a cueca decadente e prendê-la bem forte onde quer que fosse. Ao notar minha indisponibilidade física, o sujeito questionou. "Cara, tu tá bem?" e eu não quis entrar no mérito; "Aham, é sono."

Quando cheguei a ver a parada, a uns 50 metros da própria, a cueca já estava quase nos joelhos, não fosse a calça segurá-la. Para a infelicidade, a cueca é gigantesca; e eu andava como um robô, quase que fingindo ser um, para que ninguém tivesse pena de mim; mas graças ao Deus Cuecão, cheguei até a parada. Encostei-me à parede suja e fiquei imóvel por mais 10min até chegar o maldito ônibus. Subi seus degraus com cuidado, paguei ao motorista com muita cautela e sentei-me no último banco possível. "Ah, que alívio!" era o pensamento da hora.

E quando ele arrancou, verifiquei se ninguém estava de pé, e não estava. Tampouco sentara alguém perto de mim. Comecei a abrir o botão, seguido pelo zíper da calça e, desentortando a mim mesmo, consegui tirar a calça até a altura da cueca exatamente na hora em que o ônibus parou na sinaleira da rua seguinte, ou seja, fiquei literalmente peladão.

Os segundos que demorei até resgatar a cueca com as mãos foram suficientes para que algumas pessoas da parada mais próxima me olhassem com espanto e pavor através da janelinha. O pior de tudo é que, após trocar olhares com os telespectadores intolerantes, o ônibus ainda ficou parado por vários segundos. Dentre todos os observadores, uma mochilinha do Unificado me dava um tchau irônico através de seu feixo de metal barato, como quem diz: "agora posta no blog!".

10 comentários:

Paola disse...

pêndulo em altíssima frequência? paoeiaepoieapeiapeaiea aaaaah tu ouve latino é? prontofalei. como que tu sai assim de casa, amor? precisamos fazer umas compras pra ti...

tinhamo! beeeeeijo!

Marcelo disse...

AHUHAUhAUhAhauuaHuAHuhAu
muiiito bom!!

Diogo disse...

Excessivamente hilário, asuhsahusahuashuas. Imagino o Jim Carey fazendo esse papel num filme. Daria certo.

Marcos disse...

muito bom cara !

Diane disse...

passei aqui... ;]

Anônimo disse...

passei aqui... ;]


EAAEUIGAEAE eu ri do post e me deliciei com esse comentário.

/ser

Diane disse...

=(

Sergio Trentini disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Karina disse...

ahahahah
Ri muito.

Karina disse...

Ri muito.
:)