Minha alimentação tem sido algo totalmente irregular nas últimas semanas, devido a quaisquer desafetos internos. Isso me vem levando a fome por completo durante o dia, devolvendo-ma pela madrugada, caso não durma antes.
Nas ocasiões em que não tive tal sorte, acabei por aprender a cozinhar; sim! Aprendi a fazer coisas sozinho, e dei nomes a elas, como A Galinha Shoyada e O Bife-Bafo Viamonense, sempre fazendo alusões aos ingredientes ou aos efeitos causados por estes. É claro que toda essa criatividade não poderia ter-se passado em outra hora senão entre a meia-noite e as duas da madrugada, o que me levou a nomear também a nova prática culinária, apelidada de Culinoite.
E qual não foi a surpresa quando, agora há pouco, a fome bateu. Não pensei duas vezes: abri a geladeira e busquei por nutrientes. Achei batatas pré-prontas e levei muito tempo pra prepará-las mesmo assim. Chamei-as de Bata Ta Demorando. Além disso, ouvi, ao anoitecer, alguém elogiando o feijão; pensei que seria uma boa hora para reutilizá-lo. Foi então que verifiquei a segunda prateleira, e lá estavam: um pote pequeno e insignificante de plástico, contendo uma quantidade ínfima de feijão, e, ao lado dele, um pote de vidro avantajado, onde geralmente se costuma guardar o feijão de fato. É óbvio que escolhi este último.
Ao levá-lo, no entanto, até o micro-ondas, notei algo de diferente através do vidro escuro. Abrindo-o, verifiquei que havia um bife pronto em cima do feijão. Além disso, notei alguns pedaços de presunto espalhados desuniformemente. Foi quando me lembrei daquela vozinha pré-adolescente vinda, mais cedo, do quarto ao lado: "o feijão hoje ficou muito bom!". Olhei para o pote e sorri; "é claro! Eis o segredinho que o deixou gostoso!"
Aqueci-o e voltei a atenção novamente às batatas. Depois de muito tempo, utilizei o mesmo óleo para preparar o Bife-Bafo Viamonense, com bastante alho. Tudo pronto, enchi o meu prato de feijão.
Como é bom comer sozinho e de madrugada; todo homem tem um caminhoneiro dentro de si - basta estar só e inspirado. Quando o feijão sobrepôs-se ao arroz, pus-me a separar os pedaços de bife e de presunto que encontrava, como quem separa a folhinha de louro ou o bacon cozido - afinal, pensei, "são só temperos, ainda que alternativos."
Comi tudo, e concordei com a minha irmã; o feijão estava com um sabor forte e único, mesmo requentado. Os pedaços de coisa dentro dele somente deram um "gostinho a mais". Ora, alguém precisava sugerir à Cleci que repetisse a receita no dia seguinte, em vez de dar tudo para os cachorros, como de cost...
Sim; foi neste exato momento que notei estar comendo a comida dos cachorros de amanhã. Isso significa que, no mínimo, aquele feijão não era o novo, e sim o de anteontem, e a ele estavam agregados todos os restos da casa, inclusive os da empregada. Provavelmente o feijão elogiado esteja no pote pequeno, feliz e intacto. Fiquei perguntando-me de quem era aquele bife enormemente mastigado, com certa repulsa, confesso; até que uma idéia totalmente ilustre surgiu à minha cabeça.
Que não há diferença entre mim e o cachorro. Se ele come a minha comida, por que não posso comer a dele? Os mesmos nutrientes, as mesmas consistências e o principal: o mesmo sabor.
Diante do exposto, coloquei-me no mastro do navio, e mais uma vez o instinto humano falou mais forte:
"Quem saiu perdendo foi o cão, e não eu!"
Apelidei o prato de Feicão. E por muito pouco, não repeti.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
O Que Realmente Ocorreu
...na manhã de 21 de outubro de 2010 - semana passada, mesmo.
Conversando com os amigos do mestre Alberto Pastelina ontem à noite, um deles me contou com detalhes o que ocorrera na Suécia com o jovem brasileiro acusado de múltiplos assassinatos aleatórios.
O tal é filho de um amigo desses senhores, o que tornou o assunto um verdadeiro tabu. Foram cautelosos tanto na hora de contar-me, quanto na hora de servir o whiskey. Ora, quanta frescura. (Espero que eles não leiam isso).
O fato é que, segundo eles, o rapaz teria feito contato telefônico com o seu pai antes de ser localizado em uma das maiores metrópoles suecas, no meio daquele dia. Explicou tudo que tinha acontecido e pediu perdão por ser diferente. Segue a seguir, dando seguimento à sequência do texto, o que vos apresentarei abaixo. Caso sejas sensível, moralista ou composto de cera, não leias.
Conforme relatou o pai do maníaco aos amigos, o jovem tinha tendências suicidas antes mesmo de sair do Brasil. Após algumas terapias fracassadas, decidiu-se que o melhor seria viajar. Primeiramente, passou dois meses na França, mais três na Alemanha e, só então, mudou-se para a Suécia, mais especificamente para Gotemburgo. Lá, fixou-se na casa de um estudante dinamarquês, tendo ambos estudado em Chalmers.
Semanalmente, comunicava-se com o pai através de e-mails e, raramente, de alguns telefonemas. Nestes últimos e-mails, que circulam ilegalmente pela rede, pôde-se notar que seu grau de depressão estava acentuado. Dizia que a Suécia era gélida em inúmeros sentidos, tendo-a comparado diversas vezes o inverno com o "inferno". Não se sociabilizava muito, segundo o penúltimo email, e basicamente tinha por amigo o colega de quarto (o da foto, tirada no início do ano pelo próprio colega brasileiro nas redondezas do lago Delsjon). O sujeito era adepto do black metal, corrente de rock pesado com tendências obscuras e por vezes agressivas.
Após ter influenciado o brasileiro, que já sofria de distúrbios emocionais, ambos planejaram um homicídio mútuo, ritual no qual um mataria o outro ao mesmo tempo. Deixaram a idéia em pauta por meses.
Até que, há algumas semanas, foi retomada a idéia e marcada uma data. O último e-mail mandado pelo jovem ao pai teria os seguintes dizeres: "sei que você não se orgulha de mim hoje, mas talvez se orgulhe amanhã", o que não fora compreendido pelo progenitor.
Na noite de quarta-feira, dia 20, o jovem dinamarquês adquiriu duas armas idênticas, modelo Carl Gustav m3, as quais seriam usadas no ritual. Aguardaram o pôr-do-sol daquele mesmo dia e, conforme combinado, subiram até o sótão e sentaram frente-a-frente no chão, com as armas apontadas um para o outro. O plano era contarem até cinco e atirarem ao mesmo tempo, um contra a cabeça do outro. Porém, não foi o que aconteceu.
Receoso, o brasileiro contou ter disparado assim que o número um foi contado. Após matar o amigo, tendo permanecido vivo, passou horas por volta do corpo sem saber o que fazer. Após, assistiu um programa na televisão, pelo canal sueco TV4. Apesar de não ter referido qual programa era, sabe-se que envolvia conceitos bélicos e "injustos", conforme declarou o rapaz por telefonema. Como às 23h não havia ainda decidido o que fazer, resolveu sair às ruas com a roupa do corpo - e com a arma. Aguardou em frente à igreja Tyska Kyrkan, fundada por alemães, até que o sol nascesse. Feito isso, atravessou a praça Gustav Adolfs Torg (o centro político e administrativo da cidade) e chegou a uma escola secundária, Arbetarrörelsens Folkhögskola, tendo invadido o local às 10h da manhã de quinta-feira, dia 21, horário local.
Diz-se que, logo ao entrar, atirou sem piedade em cinco crianças que corriam em sua frente. Uma delas, tendo permanecido viva, procurou socorro na sala da coordenação geral, aonde chegou o jovem brasileiro logo após, terminando o serviço com a criança e com três funcionários do local. O caos correu solto a partir de então, e todos que puderam correram para fora da escola. Infelizmente, não tiveram a mesma sorte uma turma isolada que assistia a uma aula especial no fundo de um corredor do quarto andar. Chegando no local, que só possui uma porta, o brasileiro agiu com requintes de crueldade ao mandar um jovem estudante escolher qual entre três colegas deveria morrer. Não sendo capaz de escolher, o rapaz matou os três, e mandou o mesmo jovem escolher entre mais três. Mais uma vez não fora capaz de escolher, e a chacina se repetiu. Na terceira vez, o jovem escolheu uma menina do trio proposto pelo maníaco, que matou os outros dois, tento poupado a vida da menina. Após esse fato, dois alunos se atiraram da janela, tendo morrido pelo impacto com o chão. Os doze jovens restantes e a mestre foram torturados emocionalmente por mais de trinta minutos, quando a polícia conseguiu contato com o criminoso. Convencido de que iria para a cadeia, o jovem chegou a atirar contra um policial, que se feriu gravemente no rosto. Ainda chegou a atirar contra dois alunos e contra a professora, que estão internados em estado grave no hospital Östra sjukhuset. Com a última bala, suicidou-se em frente os jovens restantes.
Fatos como este são muito comuns nos países desenvolvidos e cada vez mais frequentes em metrópoles europeias e americanas. No entanto, registrou-se pela primeira vez uma chacina psicopática cometida por um brasileiro no continente.
Sinal de que estamos evoluindo.
Conversando com os amigos do mestre Alberto Pastelina ontem à noite, um deles me contou com detalhes o que ocorrera na Suécia com o jovem brasileiro acusado de múltiplos assassinatos aleatórios.
O tal é filho de um amigo desses senhores, o que tornou o assunto um verdadeiro tabu. Foram cautelosos tanto na hora de contar-me, quanto na hora de servir o whiskey. Ora, quanta frescura. (Espero que eles não leiam isso).
O fato é que, segundo eles, o rapaz teria feito contato telefônico com o seu pai antes de ser localizado em uma das maiores metrópoles suecas, no meio daquele dia. Explicou tudo que tinha acontecido e pediu perdão por ser diferente. Segue a seguir, dando seguimento à sequência do texto, o que vos apresentarei abaixo. Caso sejas sensível, moralista ou composto de cera, não leias.
Conforme relatou o pai do maníaco aos amigos, o jovem tinha tendências suicidas antes mesmo de sair do Brasil. Após algumas terapias fracassadas, decidiu-se que o melhor seria viajar. Primeiramente, passou dois meses na França, mais três na Alemanha e, só então, mudou-se para a Suécia, mais especificamente para Gotemburgo. Lá, fixou-se na casa de um estudante dinamarquês, tendo ambos estudado em Chalmers.
Após ter influenciado o brasileiro, que já sofria de distúrbios emocionais, ambos planejaram um homicídio mútuo, ritual no qual um mataria o outro ao mesmo tempo. Deixaram a idéia em pauta por meses.
Até que, há algumas semanas, foi retomada a idéia e marcada uma data. O último e-mail mandado pelo jovem ao pai teria os seguintes dizeres: "sei que você não se orgulha de mim hoje, mas talvez se orgulhe amanhã", o que não fora compreendido pelo progenitor.
Na noite de quarta-feira, dia 20, o jovem dinamarquês adquiriu duas armas idênticas, modelo Carl Gustav m3, as quais seriam usadas no ritual. Aguardaram o pôr-do-sol daquele mesmo dia e, conforme combinado, subiram até o sótão e sentaram frente-a-frente no chão, com as armas apontadas um para o outro. O plano era contarem até cinco e atirarem ao mesmo tempo, um contra a cabeça do outro. Porém, não foi o que aconteceu.
Receoso, o brasileiro contou ter disparado assim que o número um foi contado. Após matar o amigo, tendo permanecido vivo, passou horas por volta do corpo sem saber o que fazer. Após, assistiu um programa na televisão, pelo canal sueco TV4. Apesar de não ter referido qual programa era, sabe-se que envolvia conceitos bélicos e "injustos", conforme declarou o rapaz por telefonema. Como às 23h não havia ainda decidido o que fazer, resolveu sair às ruas com a roupa do corpo - e com a arma. Aguardou em frente à igreja Tyska Kyrkan, fundada por alemães, até que o sol nascesse. Feito isso, atravessou a praça Gustav Adolfs Torg (o centro político e administrativo da cidade) e chegou a uma escola secundária, Arbetarrörelsens Folkhögskola, tendo invadido o local às 10h da manhã de quinta-feira, dia 21, horário local.
Diz-se que, logo ao entrar, atirou sem piedade em cinco crianças que corriam em sua frente. Uma delas, tendo permanecido viva, procurou socorro na sala da coordenação geral, aonde chegou o jovem brasileiro logo após, terminando o serviço com a criança e com três funcionários do local. O caos correu solto a partir de então, e todos que puderam correram para fora da escola. Infelizmente, não tiveram a mesma sorte uma turma isolada que assistia a uma aula especial no fundo de um corredor do quarto andar. Chegando no local, que só possui uma porta, o brasileiro agiu com requintes de crueldade ao mandar um jovem estudante escolher qual entre três colegas deveria morrer. Não sendo capaz de escolher, o rapaz matou os três, e mandou o mesmo jovem escolher entre mais três. Mais uma vez não fora capaz de escolher, e a chacina se repetiu. Na terceira vez, o jovem escolheu uma menina do trio proposto pelo maníaco, que matou os outros dois, tento poupado a vida da menina. Após esse fato, dois alunos se atiraram da janela, tendo morrido pelo impacto com o chão. Os doze jovens restantes e a mestre foram torturados emocionalmente por mais de trinta minutos, quando a polícia conseguiu contato com o criminoso. Convencido de que iria para a cadeia, o jovem chegou a atirar contra um policial, que se feriu gravemente no rosto. Ainda chegou a atirar contra dois alunos e contra a professora, que estão internados em estado grave no hospital Östra sjukhuset. Com a última bala, suicidou-se em frente os jovens restantes.
Fatos como este são muito comuns nos países desenvolvidos e cada vez mais frequentes em metrópoles europeias e americanas. No entanto, registrou-se pela primeira vez uma chacina psicopática cometida por um brasileiro no continente.
Sinal de que estamos evoluindo.
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