quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Aventura na Sex Shop

É claro que esqueci de algo mais além da sombrinha da minha mãe e do dinheiro da passagem de ida e volta ontem, apostando na minha leviana amizade com o motorista. Esqueci de contar-lhes um ponto forte do meu dia de segunda.

Minha aula de vocal fica exatamente ao lado de uma sex shop muito bem escondida no terceiro andar da galeria. Ao vê-la neste dia, lembrei-me do Izzy, a cujo blog já os apresentei; além do blog que o cara sustenta, também trabalha em uma sex shop e fala disso com frequência (inclusive o último post dele é sobre isso; vale a pena conferir). De qualquer forma, as plaquinhas na frente me atraíram e eu, nada curioso, não pude deixar de entrar desta vez.

Assim que abri a segunda porta (é bem escondida mesmo), um mar de consolos de todas as cores e tamanhos me recepcionaram. Junto de uma senhora que poderia ser minha avó. Confesso que me arrependi um pouco, mas já estava lá dentro; "posso te ajudar?", ela disse, e eu respondi "obrigado, só dando uma olhada". "Fica à vontade". Pensei "como?", mas nada disse além de um sorriso. Comecei a inspeção.

Na primeira prateleira, junto dos consolos, encontrei uma vagina de silicone. Aquela que eu havia visto na internet por R$ 80,00. Confesso que a curiosidade me instigou e eu olhei atrás do pacote para ler as "instruções". Dizia que ela era de fácil limpeza (imaginem se não!), de uso contínuo, portátil e duradouro (só faltava dizer que não menstrua), a composição do material e, principalmente, o que mais me chamou a atenção: dizia ser virgem. Sim, literalmente, "é virgem", seja qual for o termo que se usou; e eu pensei pela segunda vez no dia: "como?". Não me atrevi a perguntar para as duas senhoras que atendiam; apenas segui em frente.

Mais adiante encontrei as famosas bolinhas chinesas (?), e pela primeira vez duvidei de sua eficiência. Aliás, o que mesmo elas fazem? Não sei, ou melhor, não sabia. A senhora atendente fez questão de perguntar se eu precisava de ajuda; no entanto, talvez não estivesse preparada para a minha pergunta:

- Como funcionam essas bolinhas?
- Como?
- Essas bolinhas... - e a senhora hesitou um pouco, olhou para a companheira, que nos acompanhava lá do balcão, e ambas começaram a rir. Eu deveria ter me sentido meio envergonhado, mas ao invés disso acabei rindo junto, sem ver naquilo grande graça.
- Como vou te explicar... essas bolinhas tu introduz na vagina...
- Sim, disso eu sei! Mas como funciona?
- Ah, meu querido, são bolinhas chinesas. Elas dão muito prazer pra menina, elas se encontram e se movem uma sobre a outra...
- E não corre risco de... sei lá, perder elas lá dentro? - a senhora deu uma gargalhada. Eu ri junto para não parecer um imbecil, mas de fato a pergunta era séria, apesar de ela só ter respondido "não, não". Por conseguinte, não sei como elas não se perdem lá dentro. Alguém aí se atreve?

Logo a seguir, chegaram duas mulheres. Aparentavam ter uns 27 anos e ser moças de respeito. Aí é que entra o porém. O que estariam fazendo ali então?
Uma delas (a compradora) estava muito tímida. A outra, saidinha. Logo foi dizendo para a atendente: "minha amiga aqui tá querendo se divertir", e a primeira deu um tapinha na amiga, e ambas começaram a usufruir da liberdade libidiosa que as dominavam. Contudo, como todas as mulheres do mundo, acabaram na parte da loja que por mim havia passado despercebida: as roupas.

Havia roupas de todos os tipos: mamãe noel, mulher gato, dominadora, vítima, TUDO. E elas passaram horas olhando-as e admirando cada peça. Enquanto eu cuidava essa atitude de canto de olho, quase que instintivamente. O que iriam levar, o que iriam levar?!

- Acho que o moço deve ter alguma idéia do que vocês precisam - sacaneou-me a safada senhora atendente. Pela primeira vez até então, fui surpreendido com um certo rubor. Elas olharam para mim, que olhei para elas e acabei improvisando.
- Essa prateleira tem mais a ver com vocês... - e apontei para o outro lado.

Não sei por que, mas elas não riram; talvez a prateleira de consolos não agrade todo mundo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Um Problema, Dois Problemas

Ouvi meu celular despertar hoje cedo e, fanático que sou, não o questionei: levantei-me de súbito e abri o armário, tendo-me vestido e escovado os dentes em pouco menos de dois minutos, quando me considerei pronto. Lavei o rosto para confirmar, uma descarga rápida e voilà! Bastava sair. Um estranho cansaço, porém, atrapalhava minhas vistas. Ignorei-o.
Mais estranho ainda foi ver a preta Vilma, que sempre me recepciona com pulos e lambidas descontroladas, dormindo em sono profundo com as patas contra a parede. Ela somente abriu as pálpebras e acompanhou-me até o portão com o olhar. Não fosse a pose espavitada, pensaria tratar-se de doença, mas não: era sono mesmo.

Olhei para o relógio várias vezes: 6:20. Subi a rua correndo para não perder o ônibus! Cheguei lá, contudo não o vi. Teria o perdido? Teria mudado o horário? Eles sempre mudam o horário...
Às 6:30 vi-o passar lá no alto, em direção ao Condado. Sabia que ele fazia esse trajeto e depois voltava ali. Como demorou, porém; às 6:35 ou mais, entrei nele. O motorista havia mudado, mas eu o conhecia: era um sujeito mal-humurado; eu o perguntei se os horários tinham trocado, e ele murmurou algo incompreensível. Interpretei como não e fui sentar-me - estava realmente mais cansado que de costume. Depois da metade da viagem, meu despertador tocou. Olhei para o relógio: 7:08 - a hora em que eu deveria estar acordando. Olhei para a rua e sequer tive forças para rir.
Percebi o quão idiota fui: acordei sozinho mais de uma hora antes, imaginei o celular despertando, vesti qualquer roupa, arrumei-me totalmente e peguei quase três ônibus antes do correto. Fiz minha rotina do ano passado. Não consigo imaginar como isso aconteceu; talvez tenha sido o horário novo, não sei... o fato é que eu já estava muito avançado, tendo chegado no trabalho mais de uma hora antes do previsto; é claro que não havia ninguém, então fui à minha avó, acordei a coitadinha com uma desculpa esfarrapada (devolver um cabo de mp4 pro meu tio) e pedi para dormir ali mais um pouquinho; licença concedida, cheguei à Secretaria 10 minutos atrasado, como de costume: só para normalizar.

Ao meio dia, fui à aula de vocal pela segunda vez. Desta vez botaram um professor bom, para compensar o velho podre que mal sabia falar, quanto menos cantar, o qual me "deu aula" na semana retrasada. Este era um gordinho muito confiante e que aparentemente compreende minha linguagem (o idioma português). O problema foi quando ele começou a respirar e pediu para que eu agarrasse sua barriga por trás. Senti que aquela voz aveludada talvez não fosse fruto único da prática; ele respirava enquanto eu (totalmente contrariado) apertava as gordurinhas da região lateral do abdômen. Isso aconteceu umas três vezes. Pensei "tudo pelo bem da música, tudo pelo bem da música" e, realmente, agarrar a barriga flácida daquele duvidoso professor me deu uma certeza muito grande em termos de respiração musical, algo que sempre tive dificuldade. Quando ele me mostrou a teoria alemã de base (na qual se canta de dentro para fora), pediu para que eu forçasse sua barriga com a mão fechada, como se fosse um soco, enquanto ele se fixava contra a parede. Sentindo-me explorado e imaginando o que as pessoas pensariam caso nos vissem nesta situação, fiz. Mas aproveitei para botar bastante força - instinto vingativo. Ainda assim, o filho da mãe conseguiu manter a afinação no mesmo tom!

A partir de então, parei de frescura e comecei a imitar todos os exercícios estranhos que ele fazia, e em pouco tempo já havia aprendido muito. Se ele é ou não é, não posso dizer; mas que canta, canta.

Considerando que ainda são 15:37h, esta foi minha segunda-feira até agora. (Post A La Twitter);
Um abraço a todos.