De fato este foi o maior hiato da história deste blog, e cá estou eu após quase um mês de silêncio contorcido, para dizer-lhes que meu mês foi legal e ilegal, por motivos aleatórios, os quais não discutirei aqui por pura preguiça.
Ontem, porém, foi meu último dia em Garopaba, junto do Alemão e de sua irmã Fran, além de várias pessoas queridas, como a Liliane, o Rafael, até o Lucas (o gigantesco), pela primeira vez não acompanhado do Davi. Minha família também recheou a residência receptiva da praia mais contraditória do Estado Catarinense. Digo isso pelo contraste entre a beleza do litoral e a ausência de infraestrutura na construção civil de Garopaba, que definitivamente não está pronta para receber tanto turista.


Notamos isso pela negligência (ou extrema confiança) por parte dos nativos, que emprestaram caiaques e um colete por R$ 10,00, tempo ilimitado, para dois estranhos, que, por sorte, eram eu e o Alemão. Fizemos uma volta canibal pela baía, encontramos praias escondidas após as pedras, lugares quase desabitados... e me perguntei o que impedia alguém de consumir aqueles barquinhos de fibra. Enquanto conversávamos sobre isso (e sobre milhares de outras besteiras), atravessamos novamente o litoral, cortando-o de uma ponta a outra, e depois retornando ao destino. Isso nos tirou quase três horas, muito embora tenhamos pagado por uma. Nada foi cobrado a mais. Após entregarmos os remos, podres de cansados, fomos para a estação de
Sandboard, e lá, mais uma vez: a gigantesca paisagem natural paradisíaca contrastava com a falta de infraestrutura: apesar de as pranchas serem bem feitas, a escada para nos levar ao alto da montanha de areia estava em situação precária, além de, ao anoitecer, as luzes serem insuficientes para a prática do esporte. Tampouco notaram quando devolvi a prancha. Mas nada disso justifica a queda espetacular do nosso teatral Alemão, que (dizem) foi dono de uma manobra raríssima, envolvendo sucessivos mortais de 360º
sem a prancha, provando com maestria sua intimidade com esportes radicais. Chegou lá embaixo com a cara ainda mais pálida do que o comum, devido ao susto e à areia branca e fina que cobria o seu corpo do dedão até os últimos fios de cabelo. Provavelmente por isso, não arriscou muitas vezes mais, ao contrário de mim, que, bem ou mal, acabei pegando o jeito, muito menos por experiência do que pelo incentivo de ver o alemãozinho se ferrando.
Esse cara foi o ícone da minha viagem. Logo na ida, já me causou uma cólera risonha ao olhar para uma imensa, verde e parelha plantação de arroz (típica de todo o estado) e dizer "olha lá! Plantação de salsa!"...
Ele jura até agora que foi uma brincadeira, e isso é uma das partes mais engraçadas da história;
porém, não estamos aqui tomando nenhum partido ou fazendo qualquer julgamento prévio.
Mentira.
Meu doce cumpadre alemão também foi dono de inúmeras danças sensuais durante os poucos dias em que esteve presente, alegrando a todos ao seu redor, propositalmente ou não. De fato, é um sujeito que faz falta.
E, por querer ou sem querer, sempre morará no meu e nos nossos corações.