Querida Cunhada,
Há duas semanas, venho planejando abertamente uma data especial na qual fritaria deliciosos pastéis de chocolate. Tal data chegou. Hoje à tarde, comprei uma barra cara e bem conservada, especialmente para a ocasião. Deixei a barra ao gelo por uma hora e meia. Depois, preparei-me, lavei bem as mãos e, com muito esmero, quebrei cada fileira da barra em pedaços de dois. Logo após, abri o pacote e parti cada dupla ao comprido, tendo assim por volta de 30 duplas compridas de chocolate preto-e-branco. Abri, pois, o pacote de pastelina (tamanho médio), separei 15 e, uma a uma, tirei-as e separei-as do plástico de apoio. Cada duas fileirinhas picotadas recheavam um pastel. Cada pastel recheado, lacrei com um garfo esterilizado, cuidando para não danificar nem a massa e nem o plástico circundante. Depois, cada pastel foi posto à frigideira três a três, com atenção redobrada, visto que não deveriam dourar mais do que o mínimo.
Minha cunhada; nesta ceia, junto de meu irmão e de seu amigo, comeste 13 dos 15 pastéis de chocolate que eu fiz. Ao questioná-la sobre o paradeiro de meus pastéis tão amplamente desejados - dos quais só tive o direito de provar UM - disseste-me que acabaram. Então, desnorteado e descrente, fiquei imóvel, e meu irmão justificou-se: "a mãe guardou um pra ti na geladeira". Obviamente, não poupei palavras, ao passo que, gentil e ironicamente, pronunciaste-te, como se razão tivesses, em voz irônica e ofendida: "Desculpa, na próxima vez eu não como, então."
A vontade que tive naquele momento foi de dizer "exatamente, sua ignorantona, NÃO COMA, afinal NÃO-SÃO-TEUS!" mas, feliz ou infelizmente, "cunha", tive uma ou duas aulas de educação em casa ao longo desses 20 anos que me passaram. É bem verdade que, apesar de termos frequentado o mesmo colégio durante o ensino médio, não parece que tivemos a mesma orientação em casa. Que falha; ah, que lástima!
Ainda hoje, deixaste a porta do MEU banheiro chaveada por dentro, forçando-me a vasculhar em busca de uma chave reserva. Fazes isso sempre que podes. Quando não podes, pois me encontro ou durmo próximo, fazes questão de me acordar chaveando e "deschaveando" tal porta com um barulho tão exagerado que eu precisaria de 3 meses de academia para reproduzir. Isso sem contar a cara de nojo que direcionas à minha companheira, à qual não direcionas uma palavra sequer há 2 anos e alguns meses, e também a falsidade com que tratas a minha irmã e meus pais, os quais já maltrataste algumas vezes. Não querendo somar a tudo isso o fato de deixares tufos de cabelo e/ou outros pêlos quaisquer em toda parte de meu banheiro, principalmente no vaso sanitário, sem dar-te o trabalho de apertar a descarga. Em prol do meio-ambiente? Ao diabo, sequer sabes o que é isso; há um lixo enorme para tanto, e a tampa é bem mais limpa do que teu caráter. Se um dia leres isso, saibas que teus quarenta cremes, duas bolsas e setenta sabonetes líquidos que habitam a MINHA pia do MEU banheiro estão correndo sérios riscos, tendo em vista o meu perfil vingativo e muitas vezes desequilibrado.
Eu te odeio, e, como bem sabes, falo isso de coração. Não é de hoje. Troquei a tua formatura (Deus esteja!) pela formatura de uma menina que mal conheço. Troco os jantares na tua casa por noites de jejum na minha. Troco a tua casa na praia por saunas no centro de Viamão. Todos nós te desprezamos, minha irritante cunhada, mas meu irmão - como pode! - não.
No entanto, torço pelo dia em que lutaremos (pelo menos uma vez!) lado a lado! Estou sendo sincero! Hei de te admirar no dia em que casares com meu irmão e, então, tiveres a sorte de agarrar seu futuro e sua fortuna com as duas mãos e com todas as tuas garras, tendo uma vida BEM longe dos meus olhos, em qualquer lugar que seja, criando meus sobrinhos com muita frieza e ensinando-os a arte da mesquinharia e o ofício do desprezo. Rezo pelo dia em que teus cremes e sabonetes íntimos desocuparão minha pia, em que minha porta estará livre de teu comportamento desprezível, em que minha irmã poderá livrar-se de teus comentários maldosos, em que meus pastéis serão meus! Oh, como agradecer-te-ia!
Apesar de "rugir para fora", como disse-me uma doce amiga que te colocaria, se comparadas, na mais inferior classe humanóide já existente, pouquíssimas pessoas extraem-me tal sentimento. Assim sendo, despeço-me com muito ardor e com um pouco mais de rancor, uma vez que minha mãe deu razão para vós, enquanto encontrei minha porta do banheiro mais uma vez fechada, pela segunda vez no dia. Espero que, na próxima vez, feche-a em teus dedos, e que os mesmos apodreçam, de forma semelhante ao que ocorreu com tua índole.
Atenciosamente,
Yo.