Eu estarei participando de uma experiência acerca de um processo de marketing de blogs, no qual escreverei algumas resenhas de produtos estranhos de sites americanos.
Dando certo ou não, meus amigos, verão algumas postagens em lingua inglesa. Por favor, ignorem-a por enquanto. Para deixar mais regular, irei colocar um asterisco na entitulação de cada um desses posts.
Espero não incomodar aos velhos e bons leitores: trata-se somente de um teste.
Abracitos gerais!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O Pomo de Ouro
Há dez meses, subi à mais alta montanha, estendi os braços em maior amplitude e lancei-me ao vento, por horas - oito horas diárias -, por dias - seis dias semanais - e, principalmente, com obsessiva dedicação.
Quão forte deve ser o impulso, para que o vôo valha a pena? Quantas pessoas precisamos deixar? Quantos planos, quantos sonhos abandonar?
Eu estendi meu corpo em arco e ergui-me, e voei. Subi tantos pés que os meus gelaram; e após, fechei os olhos - sempre alerta! -, sentindo a brisa, brincando com o tempo, que comigo brincava: claro, escuro; quente, frio... muito frio.
Eu percorri todos os cantos que precisavam ser percorridos, fotografei cada um de seus detalhes e anotei-os. Eu aprendi todos os segredos que julguei secretos; dos pássaros estudei o corpo e até a alma - e o coração; os homens lá debaixo, enxerguei-os por dentro, compreendendo-os como organismos, como atores, como agricultores, imperadores, presidentes, assassinos, libaneses, pensadores, estrangeiros e até alquimistas. Eu os admirei e os odiei por cada dia dos últimos meses, sempre perguntando-me o motivo. No entanto, qual deles me estudou? Qual deles me admirou?
Quando a noite caiu, pousei. Em partes. Em meus sonhos, sobrevoava a Amazônia (e também Manaus), via dezessete árvores densas e as chuvas de verão, além de irmãos brigando por causa de vinte e um problemas de relacionamento. Descia a serra e via a acidez que caía em mais de vinte e uma gotículas de solução aquosa. Na velocidade da luz, percorri dezenove quilômetros retilíneos e uniformes. Li, pois, outras vinte e uma placas de "No Stress", e fui-me acalmando. Lembrei-me dos primeiros que naquele solo raso pisaram, e vinte perguntas me ocorreram. Dentre elas, dezenove me interpretaram corretamente. E uma onda de pavor me tomou; mas apenas onze interpretavam os outros viajantes. O calafrio forçou-me a olhar as mãos, que, trêmulas, somavam dezoito dedos. Foi então que me deparei com um monstro. Um monstro de dezesseis longos tentáculos articulados que me imobilizaram cruelmente, impedindo qualquer reação.
Ao acordar, assustado, percebi o peso que é cometer um erro que compromete oito acertos. Deprimi-me de instantâneo, joguei-me com ferocidade contra o abismo que me esperava e mal pude abrir os braços novamente. Mas em vez de subir, inclinei-me para baixo. Os olhos, abertos, secos, cansados, traíam-me perante o ímpeto de esperança que um ou outro suspiro causava ao meu machucado pulmão saudável.
Como saber, em cinco chances, qual é o erro que me corroeu as entranhas? Qual dia, qual vôo, qual memorização foi falha em minhas viagens aéreas? Qual bosque me faltou? Qual olhar me fugiu? Que paisagem me ignorou?
Em um declive depressivo, mas esperançoso, vi um pomo metálico, alado e dourado, cruzando o caminho oposto. Que cor! Que brilho! Perguntei-lhe: no que, afinal, errei? Ele não me deu resposta; não obstante, estendeu-me uma de suas lindas asas até a altura de meus dedos.
Leva-me, pomo de ouro! Eu ainda os tenho estendidos.
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